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09.04.2024

Lula fica mais evangélico e Michelle fica mais política

Lula começou a fazer um discurso mais religioso; ignorância sobre conceito de Estado laico faz com que muita gente veja a mistura como ilegal

Madeleine Lacsko

Um movimento simultâneo vem acontecendo nas duas grandes forças da política nacional. Lula começou a fazer um discurso com tom mais religioso, falando em milagres, Deus e fé. Michelle Bolsonaro, ao mesmo tempo, começa a colocar mais política nos seus discursos. Qual dos dois terá mais sucesso no equilíbrio da mistura entre política e religião? (Para conferir as performances, veja o Narrativas Antagonista).

A ignorância sobre o conceito de Estado laico faz com que muita gente veja a mistura como ilegal. Se o Estado é laico, não se poderia falar de religião em eventos públicos. É a confusão entre o Estado Laico Colaborativo do Brasil, feito após a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e a laicité francesa, feita antes da existência dessas garantias de direitos.

A laicité proíbe qualquer expressão religiosa em espaço público. O Estado Laico Colaborativo é o oposto, permite toda expressão de todas as religiões em espaços privados e públicos. Se permite todas, também significa que você não pode impor sua religião a outros, mas todo religioso tem o direito de expor suas crenças.

As igrejas evangélicas já ocuparam os espaços em que o Estado é ausente. Também já ocuparam culturalmente os espaços em que falta oferta cultural. A elite, que tem nojo de gente com cheiro de ônibus, não percebe isso. Relaciona evangélico a traficante e acha que periferia é só funk e bandidagem. Na verdade, a periferia tem uma cobrança bem maior por honestidade e essa é uma característica valorizada.

Lula fala em Deus e milagres usando um discurso já velho, muito distante do caldo cultural dessa periferia. Argumenta algo que pode parecer religioso para os inteligentinhos, ele tem fé e é um milagre ser o retirante que acaba levando água ao sertão nordestino. Há muito tempo, o discurso religioso na política não é mais feito assim. Quem é evangélico sabe que não é evangélico. Quem é da periferia, mesmo que não seja evangélico, também sabe que não é evangélico.

O discurso evangélico que se firmou na política no século XIX tem referências ocultas à Bíblia o tempo todo. Sempre são citados versículos conhecidos mas não tão conhecidos a ponto de serem detectados por quem não sabe de Bíblia. Um exemplo prático é, falando da necessidade de fazer justiça em algum caso, desejar que “a justiça corra como um rio”. Parece uma metáfora poética, mas é uma referência ao livro de Amós.

Michelle Bolsonaro faz essas referências o tempo todo, só que agora evoluiu para incorporar situações políticas aos relatos. Até pouco tempo atrás, ela falava da causa das pessoas com deficiência, da saúde do marido e muito genericamente sobre a predestinação do casal para a política.

Agora ela incorpora temas objetivos, como a farsa dos móveis sumidos, o que Dino comentou sobre a investigação das jóias, a inelegibilidade do marido. Tudo isso é amarrado por uma narrativa bíblica nem sempre tão óbvia e que tende a passar fora do radar da imprensa. Pode crescer politicamente assim, resta saber até onde.

Já as falas de Lula sobre Deus são óbvias e facilmente detectáveis até por quem fugiu do catecismo. Difícil saber se serão suficientes para ganhar de volta apoio evangélico. O governo tem muita gente que fala contra a família, apóia aborto e debocha dos valores dos evangélicos sistematicamente. Além disso, Lula abraçou a galera do todEs, o maior espalha-roda da política nacional. Ninguém suporta e os evangélicos, menosprezados por eles, menos ainda.

A ex-primeira-dama foi uma peça fundamental para ganhar o apoio evangélico para Jair Bolsonaro. Nessa lógica cultural, a mulher é o esteio espiritual do casal. Lula casou com Janja, que é da galera do todEs e já debochou de conceitos evangélicos como “mulher ajudadora”. Achou burramente que era uma fala sobre feminismo, sem imaginar que houvesse um significado teológico mais profundo. Nesse cenário, Lula vai precisar muito mais do que falar em milagres para ganhar os evangélicos. Vai precisar é de um milagre mesmo.

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Um movimento simultâneo vem acontecendo nas duas grandes forças da política nacional. Lula começou a fazer um discurso com tom mais religioso, falando em milagres, Deus e fé. Michelle Bolsonaro, ao mesmo tempo, começa a colocar mais política nos seus discursos. Qual dos dois terá mais sucesso no equilíbrio da mistura entre política e religião? (Para conferir as performances, veja o Narrativas Antagonista).

A ignorância sobre o conceito de Estado laico faz com que muita gente veja a mistura como ilegal. Se o Estado é laico, não se poderia falar de religião em eventos públicos. É a confusão entre o Estado Laico Colaborativo do Brasil, feito após a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e a laicité francesa, feita antes da existência dessas garantias de direitos.

A laicité proíbe qualquer expressão religiosa em espaço público. O Estado Laico Colaborativo é o oposto, permite toda expressão de todas as religiões em espaços privados e públicos. Se permite todas, também significa que você não pode impor sua religião a outros, mas todo religioso tem o direito de expor suas crenças.

As igrejas evangélicas já ocuparam os espaços em que o Estado é ausente. Também já ocuparam culturalmente os espaços em que falta oferta cultural. A elite, que tem nojo de gente com cheiro de ônibus, não percebe isso. Relaciona evangélico a traficante e acha que periferia é só funk e bandidagem. Na verdade, a periferia tem uma cobrança bem maior por honestidade e essa é uma característica valorizada.

Lula fala em Deus e milagres usando um discurso já velho, muito distante do caldo cultural dessa periferia. Argumenta algo que pode parecer religioso para os inteligentinhos, ele tem fé e é um milagre ser o retirante que acaba levando água ao sertão nordestino. Há muito tempo, o discurso religioso na política não é mais feito assim. Quem é evangélico sabe que não é evangélico. Quem é da periferia, mesmo que não seja evangélico, também sabe que não é evangélico.

O discurso evangélico que se firmou na política no século XIX tem referências ocultas à Bíblia o tempo todo. Sempre são citados versículos conhecidos mas não tão conhecidos a ponto de serem detectados por quem não sabe de Bíblia. Um exemplo prático é, falando da necessidade de fazer justiça em algum caso, desejar que “a justiça corra como um rio”. Parece uma metáfora poética, mas é uma referência ao livro de Amós.

Michelle Bolsonaro faz essas referências o tempo todo, só que agora evoluiu para incorporar situações políticas aos relatos. Até pouco tempo atrás, ela falava da causa das pessoas com deficiência, da saúde do marido e muito genericamente sobre a predestinação do casal para a política.

Agora ela incorpora temas objetivos, como a farsa dos móveis sumidos, o que Dino comentou sobre a investigação das jóias, a inelegibilidade do marido. Tudo isso é amarrado por uma narrativa bíblica nem sempre tão óbvia e que tende a passar fora do radar da imprensa. Pode crescer politicamente assim, resta saber até onde.

Já as falas de Lula sobre Deus são óbvias e facilmente detectáveis até por quem fugiu do catecismo. Difícil saber se serão suficientes para ganhar de volta apoio evangélico. O governo tem muita gente que fala contra a família, apóia aborto e debocha dos valores dos evangélicos sistematicamente. Além disso, Lula abraçou a galera do todEs, o maior espalha-roda da política nacional. Ninguém suporta e os evangélicos, menosprezados por eles, menos ainda.

A ex-primeira-dama foi uma peça fundamental para ganhar o apoio evangélico para Jair Bolsonaro. Nessa lógica cultural, a mulher é o esteio espiritual do casal. Lula casou com Janja, que é da galera do todEs e já debochou de conceitos evangélicos como “mulher ajudadora”. Achou burramente que era uma fala sobre feminismo, sem imaginar que houvesse um significado teológico mais profundo. Nesse cenário, Lula vai precisar muito mais do que falar em milagres para ganhar os evangélicos. Vai precisar é de um milagre mesmo.

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