Vice dos EUA nega interferência nas eleições da Hungria
JD Vance visita o país a poucos dias da votação e nega interferir nas eleições; oposição húngara e União Europeia criticam ingerência
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, esteve em Budapeste nesta quarta-feira, 8, para garantir que Washington não pretende influenciar as eleições parlamentares húngaras, que acontecerão no próximo domingo.
Durante sua agenda na capital da Hungria, Vance se encontrou com o primeiro-ministro Viktor Orbán e disse que pretendia apenas “ajudá-lo neste ciclo eleitoral”. O americano ressaltou que os Estados Unidos não diriam aos húngaros em quem votar e fez críticas à União Europeia, pelo que chamou de interferência no processo eleitoral local.
Oposição húngara não ficou feliz
A presença de Vance gerou reações negativas entre opositores húngaros. Péter Magyar, principal adversário de Orbán e líder do partido Tisza, publicou comunicado questionando a timing da visita: “Nenhum país estrangeiro pode interferir nas eleições húngaras. Esta é a nossa pátria. A história húngara não é escrita em Washington, Moscou ou Bruxelas, ela é escrita nas ruas e praças da Hungria”.
Autoridades europeias também se posicionaram. O porta-voz adjunto do governo alemão, Sebastian Hille, respondeu às críticas de Vance sobre interferência da UE com observação direta: “Gostaria de destacar, já que Vance está reclamando da suposta interferência da União Europeia na eleição, que o vice-presidente dos Estados Unidos esteve na Hungria poucos dias antes do pleito. Esse fato, por si só, fala por si sobre quem está interferindo”.
Durante seu discurso, Vance elogiou Orbán como parceiro estratégico em questões de segurança e conflito na Ucrânia, enquanto criticava Bruxelas por tentar influenciar o cenário político húngaro. A visita foi amplamente interpretada como gesto político em favor do primeiro-ministro.
Cenário eleitoral desfavorável para Orbán
Após mais de uma década no poder, Orbán enfrenta dificuldades políticas e econômicas crescentes. Pesquisas independentes indicam desvantagem significativa em relação ao Tisza, partido fundado há menos de dois anos por Péter Magyar, um ex-aliado que rompeu com o governo em 2024.
Levantamentos citados pela imprensa internacional apontam diferença de até 10 pontos percentuais favoráveis ao partido de Magyar, que adota perfil conservador pró-europeu. Institutos ligados ao governo, porém, projetam cenário oposto, com vitória da coalizão Fidesz-KDNP.
O primeiro-ministro de 62 anos venceu com folga as quatro eleições anteriores e consolidou posição como referência para movimentos nacionalistas europeus, sendo associado a políticas de restrição migratória e oposição a pautas progressistas.
Sua campanha enfatizou segurança nacional e oposição ao apoio à Ucrânia, posicionando o Fidesz como único garantidor de segurança diante do que Orbán classifica como riscos regionais.
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