Venezuela é um país não investível, diz CEO da Exxon Mobil
Setor reage com cautela à pressão de Trump por US$ 100 bilhões para reconstruir a indústria petrolífera venezuelana
Executivos das maiores petrolíferas dos Estados Unidos reagiram com cautela à pressão do presidente Donald Trump para que o setor invista ao menos US$ 100 bilhões na reconstrução da indústria de petróleo da Venezuela.
Trump reuniu na sexta-feira, 9, quase 20 representantes do setor na Casa Branca e afirmou esperar um entendimento “hoje ou muito em breve” para revitalizar a produção venezuelana após a captura de Nicolás Maduro.
“Se vocês não quiserem entrar, é só me avisar, porque tenho 25 pessoas que não estão aqui hoje dispostas a ocupar o lugar de vocês”, disse.
A falta de garantias concretas reforçou o ceticismo em torno da promessa do governo de mobilizar US$ 100 bilhões para recuperar a infraestrutura petrolífera do país.
O que disseram os executivos?
A avaliação mais dura veio do CEO da Exxon Mobil, Darren Woods, que classificou a Venezuela como “não investível” nas condições atuais.
“Se olharmos para os arranjos e marcos legais e comerciais que existem hoje na Venezuela, é um país não investível”, disse.
Segundo ele, seriam necessárias mudanças profundas no sistema legal e nas leis de hidrocarbonetos, além de “proteções duráveis ao investimento”.
Mesmo assim, Woods afirmou acreditar que os Estados Unidos podem ajudar a viabilizar essas transformações e disse esperar o envio de uma equipe técnica da Exxon para avaliar o estado da infraestrutura petrolífera venezuelana.
Harold Hamm, executivo do setor de fracking e aliado de Trump, foi mais otimista, mas também evitou compromissos.
“Isso me empolga como explorador”, afirmou. “É um país muito empolgante e com muitas reservas — tem seus desafios, e a indústria sabe como lidar com isso.”
A Chevron, única grande petrolífera americana ainda em operação na Venezuela, foi apontada pelo secretário de Energia, Chris Wright, como exemplo de disposição para ampliar investimentos.
A empresa produz cerca de 240 mil barris por dia no país em parceria com a estatal PDVSA, e seu vice-presidente, Mark Nelson, disse ver “um caminho à frente” para elevar a produção em 50% em 18 a 24 meses, sem citar valores.
Wright afirmou que os US$ 100 bilhões mencionados por Trump representam uma estimativa do custo de reconstrução do setor, não um compromisso assumido pelas empresas.
“Se você olhar para o que seria uma trajetória positiva para a indústria petrolífera da Venezuela na próxima década, isso provavelmente vai exigir cerca de US$ 100 bilhões em investimentos”, disse.
Shell e Hilcorp Energy
Outras companhias sinalizaram interesse em retornar ao país.
O CEO da Shell, Wael Sawan, afirmou que a empresa, expulsa durante a nacionalização nos anos 1970, busca autorizações para voltar.
“Estamos prontos para ir e ansiosos pelo investimento em apoio ao povo venezuelano”, disse.
Já Jeffery Hildebrand, da Hilcorp Energy, disse estar “totalmente comprometido e pronto para ir reconstruir a infraestrutura na Venezuela”.
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