Ucrânia abre mão de aderir à Otan em troca de garantias de segurança
Anúncio foi feito por Zelensky antes de reuniões com enviados dos Estados Unidos, previstas para ocorrer em Berlim
A Ucrânia decidiu abrir mão de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em troca de garantias de segurança do Ocidente. A mudança de posição foi anunciada pelo presidente Volodymyr Zelensky antes de reuniões com enviados dos Estados Unidos, previstas para ocorrer em Berlim, diz a Reuters.
Desde o início da invasão russa, Kiev vinha defendendo a adesão à Otan como principal forma de dissuasão contra novos ataques russos, objetivo que chegou a ser incorporado à Constituição do país.
Zelensky afirmou neste domingo, 14, que garantias de segurança oferecidas pelos Estados Unidos, por países europeus e por outros aliados podem substituir a adesão formal à aliança militar.
“Desde o início, o desejo da Ucrânia era entrar na Otan, essas são garantias reais de segurança. Alguns parceiros dos EUA e da Europa não apoiaram essa direção”, disse, ao responder perguntas de jornalistas no WhatsApp.
Segundo o presidente, o novo arranjo envolveria compromissos bilaterais e multilaterais com força jurídica.
“Assim, hoje, garantias bilaterais de segurança entre a Ucrânia e os EUA, garantias semelhantes ao Artigo 5º para nós por parte dos EUA, e garantias de segurança de colegas europeus, bem como de outros países — Canadá, Japão — são uma oportunidade de evitar uma nova invasão russa”, afirmou.
“E isso já é um compromisso da nossa parte”, acrescentou.
Exigências russas e negociações
Moscou exige que Kiev renuncie formalmente à entrada na Otan, retire tropas de áreas da região de Donbas ainda sob controle ucraniano e adote um status de neutralidade, sem presença militar da aliança em seu território.
O Kremlin também busca um compromisso das principais potências ocidentais para interromper a expansão da Otan em direção ao leste, o que excluiria, de forma definitiva, a adesão da Ucrânia e de outras ex-repúblicas soviéticas.
Zelensky tem defendido uma paz que inclua garantias concretas contra novas agressões da forças do ditador Vladimir Putin.
Em publicação no X, ele afirmou neste domingo:
“Estamos nos preparando para uma reunião com o lado americano. Há muitos detalhes importantes, e estamos trabalhando minuciosamente em cada ponto de cada minuta. O ponto crucial é que todas as medidas que acordarmos com os parceiros devem funcionar na prática para garantir a segurança. Somente garantias confiáveis podem trazer a paz. Contamos também com a colaboração construtiva de nossos parceiros.”
As conversas em Berlim ocorrem em um momento descrito como “crítico” por aliados europeus. Governos da Europa e os Estados Unidos analisam propostas de cessar-fogo e discutem formas de sustentar militar e financeiramente Kiev.
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Comentários (1)
Estará sempre sendo atacada pelos russos q sonham com os domínios geográficos de antes. A pior vizinhança q se pode ter é a de um país dominado por um ditador.