Trump exige concessões de Kiev e pressiona Zelensky
Presidente americano aumenta cobrança sobre Ucrânia às vésperas de eleições de meio de mandato nos EUA; próximo encontro será em Genebra
“A Rússia quer fazer um acordo, e Zelensky vai ter que se mexer, caso contrário, vai perder uma grande oportunidade”, afirmou Trump nesta sexta-feira, 13, durante conversa com jornalistas na Casa Branca. O republicano repetiu a frase: “Ele tem que se mexer”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cobrou que o líder ucraniano Volodymyr Zelensky faça concessões à Rússia para alcançar um acordo de paz. A declaração ocorre dias antes da próxima rodada de negociações, marcada para terça e quarta-feira em Genebra.
A pressão americana sobre a Ucrânia aumentou nas últimas semanas, com o governo Trump tentando forçar o fim da guerra até o início do verão no Hemisfério Norte. Autoridades ucranianas relatam que Washington cobra mais de Kiev do que de Moscou para viabilizar um acordo.
Calendário eleitoral dos EUA dita ritmo das negociações
Na semana passada, Zelensky vinculou o prazo de junho estabelecido pelos americanos ao calendário político dos Estados Unidos. Com as eleições legislativas de meio de mandato se aproximando, o presidente ucraniano teme que o foco do governo Trump se afaste da Ucrânia.
“É claro que para nós é desejável que os americanos não saiam”, declarou Zelensky ao comentar as negociações. Ele acrescentou que Washington “pressionará provavelmente as partes de acordo com esse cronograma”.
A Ucrânia tenta equilibrar as demandas americanas sem aceitar o que considera inaceitável em relação a território e outras questões. Autoridades e analistas ucranianos avaliam que a Rússia mantém recursos financeiros e militares para continuar a ofensiva. As forças russas avançam no campo de batalha, ainda que de forma lenta e com perdas elevadas.
Exigência de eleições coincide com demanda russa
Nos bastidores, permanece incerto o que os Estados Unidos farão caso Kiev não ceda em temas como território e realização de eleições. O deputado ucraniano Yaroslav Yurchyshyn afirmou que representantes do governo Trump ameaçaram abandonar as negociações se a Ucrânia não demonstrar disposição para compromissos.
Durante as conversas nos Emirados Árabes Unidos neste mês, os americanos defenderam que a Ucrânia organize eleições até 15 de maio, segundo Yurchyshyn. Autoridades em Kiev consideram impossível realizar um pleito nesse prazo, com a guerra em andamento e o país sob lei marcial.
A pressão por eleições se alinha às exigências de Moscou. O ditador russo Vladimir Putin declarou que Zelensky perdeu legitimidade por estar “com medo de disputar uma eleição presidencial” e que assinar qualquer acordo com ele seria “inútil”.
Trump deixou claro que deseja reivindicar o crédito pelo fim da guerra. Prazos anteriores estabelecidos pelo governo americano expiraram sem consequências aparentes. Autoridades americanas seguem participando das negociações, mesmo após a Ucrânia rejeitar propostas iniciais de Washington vistas como favoráveis à Rússia.
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Comentários (2)
Márcio Roberto Jorcovix
14.02.2026 10:22É muito mais fácil para Trump pressionar a Ucrânia a ceder tudo do que brigar com a alma gêmea dele. A questão é como os europeus estão vendo tudo isto. Os europeus sabem muito bem que não podem deixar a Rússia avançar, mas também sabem que não tem dinheiro para isto. Coisa complicada para os vizinhos da Russia
Por q Trump não pressiona o ditador e invasor russo? Toda vez q a Ucrânia é acuada, os seres humanos q ainda sonham acordadas com um mundo melhor, mais justo... sofrem, têm dificuldade para dormir...