Trump aprendeu economia com o Sarney?
Presidente dos EUA pressiona Departamento de Justiça a apurar manipulação de preços em meio a alta de 16% no atacado de carne bovina
O presidente Donald Trump solicitou formalmente ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos que abra uma investigação sobre o setor de processamento de carne. Trump acusa as empresas de estarem envolvidas em “conluio ilícito, manipulação e fixação de preços”, o que aumentaria o preço da carne bovina para os consumidores.
Dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontam que o preço da carne bovina no atacado aumentou 16% em 2025. Esse crescimento se deu mesmo após a redução do rebanho bovino americano para o menor nível em sete décadas, influenciado por secas. Trump quer a carne fiscalizada.
Sarney foi um visionário?
No ano de 1986, o então presidente brasileiro José Sarney lançou o Plano Cruzado, com o objetivo – fracassado – de conter a hiperinflação. Uma das medidas? “Congelar” os preços das mercadorias que, junto aos salários dos cidadãos, esfarelavam de hora em hora.
Para que esse plano econômico funcionasse, o presidente convocou cada brasileiro a ser tornar um “Fiscal do Sarney”. A missão? Fiscalizar comerciantes e supermercados que corrigiam os preços dos produtos nas prateleiras.
A economia teve um período brevíssimo de superaquecimento e, naturalmente, congelou. Os produtos desapareceram das gôndolas, a inflação disparou e o resto é a história que nós conhecemos muito bem.
Trump reage (mal) à (má) avaliação econômica
O custo elevado de vida tem preocupado os eleitores americanos. Pesquisas indicam que Trump recebeu notas baixas sobre sua gestão econômica, a equipe prometeu maior concentração na questão da acessibilidade financeira.
A carne bovina levou a culpa. O pedido de investigação foi acompanhado de uma declaração exigindo resposta rápida: “Estou pedindo que o Departamento de Justiça aja com rapidez”, publicou Trump. Ele enfatizou a necessidade de “agir imediatamente para proteger os consumidores, combater monopólios ilegais e garantir que essas corporações não estejam obtendo lucros criminosos às custas do povo americano”.
A JBS, a maior processadora de carne do mundo, viu suas ações caírem até 6,2% após os comentários. A empresa fechou o dia de negociação com uma queda de 3,64% em Nova York.
Outras companhias também registraram volatilidade. Os papéis da Tyson Foods caíram inicialmente 2%, mas reverteram o movimento e fecharam em alta de 1,92%. A Smithfield Foods, controlada por um grupo sediado em Hong Kong, também registrou recuo.
As empresas mencionadas, incluindo a Cargill (que não possui ações listadas em bolsa), não responderam imediatamente a pedidos de comentários. Embora o aumento da oferta possa estar a caminho, pode levar tempo até que isso se traduza em preços menores no varejo.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)