Perdoado por invasão ao Capitólio, homem é condenado por pedofilia
Americano abusou de duas crianças após receber indulto presidencial; caso se soma a uma lista de 33 beneficiados que voltaram a cometer crimes
Andrew Paul Johnson, 45 anos, morador da Flórida, foi condenado à prisão perpétua por abuso sexual de dois menores. O tribunal do Quinto Circuito Judicial do estado o considerou culpado, em fevereiro deste, de cinco acusações – entre elas, molestação de crianças de 11 e 15 anos, exposição obscena e envio de conteúdo explícito por meios eletrônicos.
Johnson havia sido preso em julho de 2025, após denúncia de que dois menores sofreram abusos ao longo de meses em Brooksville, cidade a 80 quilômetros de Tampa.
Mensagens e tentativa de silêncio
Durante as investigações, autoridades localizaram trocas de mensagens sexualmente explícitas entre Johnson e uma das vítimas na plataforma Discord. Segundo o Ministério Público estadual, o acusado pressionava a criança a migrar para outro aplicativo, de acesso mais restrito, e a apagar o histórico das conversas anteriores.
Além das ameaças veladas, Johnson usava presentes e alimentos para manter o silêncio das vítimas. Uma delas contou aos investigadores que ele “mandou não contar para ninguém para assim evitar que ele entrasse em problemas”.
O acusado também usava presentes e alimentos para garantir o silêncio das crianças, e alegava que receberia “US$ 10 milhões” do governo Trump – como indenização a réus do 6 de janeiro – para convencer uma das vítimas a não denunciá-lo.
Perdão e reincidência
O caso tem como pano de fundo os indultos concedidos por Trump, em 2025, a mais de 1.500 pessoas condenadas pelo ataque ao Capitólio de 6 de janeiro de 2021. Johnson foi um dos beneficiados: em agosto de 2024, havia cumprido um ano de prisão por invasão do edifício federal e conduta desordeira.
Uma análise da organização Citizens for Responsibility and Ethics in Washington, divulgada em dezembro de 2025, identificou que ao menos 33 perdoados voltaram a ser presos, indiciados ou condenados. Além de Johnson, o levantamento cita Christopher Moynihan, acusado de ameaçar o parlamentar democrata Hakeem Jeffries, e Zachary Jordan Alam, detido por invasão de domicílio e furto.
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