Oposição de Israel vê fracasso histórico de Netanyahu
Líderes políticos atacam Netanyahu por não alcançar objetivos de guerra; programa nuclear iraniano permanece intacto
“O fracasso total se destaca ainda mais”, disse o ex-primeiro-ministro de Israel, Yair Lapid, sobre o cessar-fogo de duas semanas com o Irã, anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na terça-feira, 7.
Membros do Parlamento de Israel argumentam que o governo Netanyahu não garantiu os alvos estratégicos declarados para a guerra. Para Lapid, líder do partido centrista Yesh Atid e que exerceu o cargo de primeiro-ministro em 2022, o desfecho representa um desastre diplomático de proporções históricas para o país, cujas consequências se estenderão por anos.
A crítica ao desempenho militar e diplomático
Lapid reconhece que as operações militares foram bem-sucedidas: “O exército fez um trabalho incrível; a melhor força aérea do mundo executou tudo o que lhe foi pedido e muito mais”, afirmou em pronunciamento televisivo. Para ele, porém, o desempenho militar não justifica o resultado geopolítico.
O ex-premiê aponta falhas na condução. Segundo sua avaliação, o país entrou na guerra com consenso raro, mas Netanyahu se mostrou incapaz de transformar vantagens militares em ganhos diplomáticos: “Poderia ter sido conduzido de outra forma: com uma equipe diplomática trabalhando desde o primeiro momento, com um plano diplomático, com parceiros na região”.
Objetivos não alcançados
Outros políticos da oposição reforçam a avaliação negativa. Yair Golan, líder do partido de esquerda Democratas e ex-militar do Exército de Israel, foi mais direto: “Ele prometeu uma ‘vitória histórica’ e segurança para gerações, e na prática, tivemos um dos fracassos estratégicos mais graves que Israel já conheceu”.
Para Golan, nenhum dos objetivos foi atingido: “O programa nuclear não foi destruído; a ameaça balística permanece; o regime continua no poder e sai ainda mais forte desta guerra”, enumerou nas redes sociais.
A instabilidade do arranjo ficou evidente nesta quarta-feira, 8, quando Israel retomou ataques contra o Líbano, direcionados ao grupo extremista Hezbollah, apesar do cessar-fogo declarado. O Irã, por sua vez, acusou violações do acordo e ameaçou fechar novamente o Estreito de Hormuz, que havia reaberto brevemente conforme o negociado.
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