Márcio Coimbra na Crusoé: Trump dribla a ONU e acerta os Brics

08.03.2026

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Márcio Coimbra na Crusoé: Trump dribla a ONU e acerta os Brics

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3 minutos de leitura 14.02.2026 07:08 comentários
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Márcio Coimbra na Crusoé: Trump dribla a ONU e acerta os Brics

Conselho da Paz enfraquece bloco do "Sul Global" ao oferecer acesso imediato, direto e pragmático ao epicentro do poder econômico e militar

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Márcio Coimbra na Crusoé: Trump dribla a ONU e acerta os Brics
Conselho da Paz de Trump. Foto: Daniel Torok/Casa Branca

Ao analisar o tabuleiro global de 2026, torna-se evidente que a criação do Conselho da Paz (Board of Peace) por Donald Trump não foi um ato impulsivo, mas o resultado de uma leitura geopolítica realista sobre a obsolescência das instituições do século 20.

Estamos falando de uma clareza que escapou à burocracia europeia: a falência terminal do sistema das Nações Unidas.

A ONU, outrora o pilar da estabilidade mundial, converteu-se em um fórum de paralisia deliberativa e parasitismo burocrático, em que o poder de veto é usado como escudo para o imobilismo e em que a retórica multilateral mascara a incapacidade de resolver conflitos reais.

Ao perceber que a ordem baseada em regras de 1945 ruiu sob o peso da polarização e da ineficiência, Trump propôs uma nova gramática de poder: o pragmatismo transacional elevado ao nível de governança global.

Essa percepção de vácuo institucional já havia se tornado responsável por outras frentes abertas no xadrez internacional como, por exemplo, o surgimento e a recente expansão dos Brics.

Historicamente, o bloco Brics consolidou-se menos como uma aliança integrada e mais como um sintoma de descontentamento com a hegemonia do G7 e das instituições de Bretton Woods. Porém, nasceu realmente no vácuo aberto pela inoperância da ONU e suas estruturas de poder.

Ao entender esse movimento, a estratégia da política externa americana demonstra inteligência analítica.

Mas, para compreender seu impacto, é preciso também entender os problemas da nova arquitetura de poder idealizada pela China por meio do Brics.

O bloco, que se expandiu para o Brics+, nunca foi uma aliança monolítica ou ideológica, mas apenas um casamento de conveniência diante do chamado “unilateralismo” ocidental.

Contudo, essa coalizão abriga tensões internas profundas — como rivalidades históricas e divergências de interesses entre os exportadores de energia do Golfo e os importadores asiáticos.

O Brics baseia sua existência na promessa de um mundo multipolar, mas aos poucos ficou claro de que não há espaço para essas nações na mesa de decisões. É precisamente nessa fissura que entra o Conselho da Paz.

Esse movimento americano enfraquece o Brics ao oferecer o que o bloco nunca pôde garantir: acesso imediato, direto e pragmático ao epicentro

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