EUA suspendem sanções ao petróleo russo
Medida temporária autoriza venda de cargas já embarcadas e ocorre em meio à escalada dos preços globais provocada pela guerra no Irã
O governo dos Estados Unidos emitiu nesta quinta-feira, 12, uma licença temporária que permite a comercialização de petróleo bruto e derivados russos transportados em navios até 11 de abril. É a primeira suspensão de sanções ao setor energético russo desde fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.
O documento foi publicado pelo Departamento do Tesouro e abrange apenas cargas já em trânsito — não autoriza novos contratos de fornecimento. O secretário Scott Bessent classificou a medida como “de curto prazo” e afirmou que ela “não proporcionará benefício financeiro significativo ao governo russo”.
A decisão acontece um dia após o Departamento de Energia anunciar a liberação de 172 milhões de barris da reserva estratégica americana, iniciativa destinada a conter a disparada dos preços da commodity nos mercados internacionais.
Conflito no Oriente Médio faz preço disparar
O pano de fundo da medida é a crise energética desencadeada pela guerra no Irã. Nesta quinta, o barril tipo Brent, referência no mercado internacional, encerrou o pregão a US$ 101,75, alta de 10,6% no dia. Na segunda-feira, 9, o preço chegou a bater US$ 119,46.
A pressão vem de ataques à infraestrutura petrolífera dos países do golfo Pérsico, aliada à recusa de navios-petroleiros em cruzar o estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás. Mesmo a decisão da Agência Internacional de Energia (AIE) de liberar 400 milhões de barris de suas reservas — o maior movimento de sua história — não foi suficiente para arrefecer os preços.
O secretário de Energia americano, Chris Wright, disse em entrevista à CNBC que a Marinha dos EUA não tinha condições de escoltar navios pelo estreito naquele momento, mas que era “bastante provável” que isso pudesse ocorrer até o fim de março. Ele também avaliou ser pouco provável que o barril atinja US$ 200, mesmo diante da continuidade dos ataques iranianos.
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