EUA enviam chefe da CIA a Havana para negociações
Cuba aproveita reunião para contestar presença na lista de patrocinadores do terrorismo; encontro é considerado histórico
O diretor da CIA, John Ratcliffe, liderou nesta quinta-feira, 14, uma delegação americana em visita a Havana, onde se reuniu com altos funcionários do regime comunista cubano.
O encontro, confirmado por comunicado oficial de Cuba, se dá em um momento de tensão acentuada entre os dois países e representa um dos contatos de maior nível entre as duas nações nos últimos anos.
A iniciativa partiu do lado americano, que solicitou formalmente a recepção da delegação na capital cubana.
Havana defende sua posição
De acordo com informações do governo cubano, a reunião teve como objetivo abrir canais de diálogo político em “um contexto caracterizado pela complexidade das relações bilaterais”.
Autoridades da ilha afirmam que os argumentos apresentados durante o encontro permitiram “demonstrar categoricamente que Cuba não constitui uma ameaça para a segurança nacional dos EUA” — declaração direta às justificativas usadas por Washington para apertar o cerco econômico à ilha.
Havana também alegou ter provado a ausência de “bases militares ou de inteligência estrangeira em seu território”, rebatendo acusações americanas sobre a suposta presença de instalações de escuta chinesas no país.
Segundo o comunicado cubano, o encontro também serviu para questionar a permanência da ilha na lista americana de “Estados patrocinadores do terrorismo”, da qual o governo afirma não haver “razões legítimas” para que Cuba faça parte.
Sanções e bloqueio no centro do impasse
O pano de fundo da visita é uma escalada de pressões econômicas. Em janeiro de 2026, o presidente Donald Trump assinou decreto declarando Cuba uma “ameaça excepcional” aos Estados Unidos, medida usada para justificar o endurecimento das sanções e a imposição de um bloqueio petrolífero à ilha.
Trump chegou a ameaçar com represálias países que fornecessem ou vendessem petróleo a Havana. Desde então, apenas um petroleiro russo foi autorizado a atracar no país para abastecimento emergencial.
Segundo informações apuradas, a crise provocada pelas sanções, somada ao embargo em vigor desde 1962, gerou uma situação econômica e energética sem precedentes para os 9,6 milhões de habitantes da ilha.
Contatos em curso apesar do discurso hostil
A visita desta quinta-feira não é o primeiro sinal de que os dois governos mantêm comunicação apesar da retórica de confronto. No dia 10 de abril, uma reunião diplomática de alto nível já havia ocorrido em Havana — a primeira vez em uma década que uma aeronave governamental americana pousou na capital cubana.
A CIA não se manifestou para confirmar ou negar o encontro até o momento em que esta reportagem foi concluída.
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