Equador e EUA bombardeiam acampamento de dissidência das FARC
Operação conjunta destruiu base de treinamento de narcotraficantes na Amazônia equatoriana; ação ocorreu dias antes de reunião convocada por Trump em Miami
O Equador destruiu, com suporte militar dos Estados Unidos, um acampamento de treinamento vinculado a uma dissidência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), localizado na província de Sucumbios, na região amazônica do país.
O presidente equatoriano Daniel Noboa confirmou a operação na sexta-feira, 6, sem que o Ministério da Defesa divulgasse informações sobre mortos, feridos ou detentos.
O acampamento, segundo as autoridades equatorianas, tinha capacidade para abrigar até 50 pessoas, e integrava o que o governo chamou de “anéis de segurança” de uma estrutura ligada ao tráfico de drogas. O alvo declarado era Mono Tole, apontado como líder dos Comandos da Fronteira (CDF), grupo associado ao assassinato de 11 militares equatorianos em maio de 2025, durante uma operação contra a mineração ilegal.
Parceria militar
Na terça-feira, 3, os dois países já haviam dado início a operações militares conjuntas contra o que classificaram como organizações narcoterroristas. Um porta-voz do Pentágono confirmou a participação americana: “A pedido do Equador, o Departamento de Defesa realizou ações específicas para avançar em nosso objetivo compartilhado de desmantelar redes narcoterroristas”.
Soldados das Forças Especiais dos EUA estão atuando como assessores e apoio técnico em operações contra instalações suspeitas de envolvimento com o transporte de entorpecentes.
O Ministério da Defesa equatoriano não especificou o tipo de armamento ou aeronaves utilizadas, mas Noboa publicou, em seu perfil no Instagram, um vídeo mostrando a explosão de uma cabana às margens de um rio, com vegetação densa ao redor, e um helicóptero militar sobrevoando a área.
Contexto regional
A ação ocorreu na véspera de um encontro convocado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em Miami, com líderes de seis países – Equador, Argentina, Paraguai, Bolívia, El Salvador e Honduras –, todos com posicionamento político alinhado ao governo americano.
O Equador enfrenta uma crise de segurança pública há anos. Estima-se que 70% da cocaína produzida na Colômbia e no Peru passe pelo território equatoriano antes de chegar aos mercados internacionais. Essa condição transformou o país em palco de disputas entre organizações criminosas, com impacto direto na taxa de homicídios, que avançou de forma expressiva ao longo da última década.
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