Chefe do Pentágono comemora troca de comando da CNN
Pete Hegseth aproveita coletiva para atacar cobertura jornalística e defender aquisição da Warner Bros pela Paramount de aliado de Trump
Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, declarou nesta sexta-feira, 13, durante coletiva de imprensa no Pentágono, estar ansioso para que David Ellison, CEO da Paramount e aliado do presidente Donald Trump, assuma o controle da CNN.
“Quanto mais cedo David Ellison assumir essa emissora, melhor”, disse Hegseth, ex-apresentador da Fox News. Ele classificou a reportagem da CNN como fake news, “claramente ridícula” e “uma reportagem que obviamente não é séria”.
Um porta-voz da emissora afirmou: “Mantemos nossa reportagem”.
Guerra fornece palco para disputa com a imprensa
A reportagem que provocou as críticas de Hegseth afirmava que o Pentágono e o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca subestimaram a disposição do Irã de fechar o estreito de Hormuz — passagem marítima por onde circula parte significativa do petróleo mundial.
O bloqueio tem pressionado os preços do petróleo e abalado mercados financeiros. Pesquisas Reuters/Ipsos indicam baixo apoio popular à guerra, em parte pelo temor de aumento nos preços da gasolina.
Na mesma coletiva, Hegseth criticou a ABC News por divulgar um boletim do FBI, que alertava sobre possíveis ataques de drones iranianos na Califórnia.
“Estamos acostumados com reportagens ruins. Estamos acostumados com reportagens mal informadas, então isso não muda como operamos, mas nos envolvemos com isso para provar que não é verdade”, afirmou o secretário.
Desde que assumiu o cargo, Hegseth restringiu o acesso da imprensa ao Pentágono, impondo exigência de autorização prévia para a publicação de reportagens. A medida levou cerca de 30 grandes organizações de notícias a abandonarem suas credenciais — entre elas a Fox News, o Washington Post e a agência Reuters.
Fusão entre Paramount e Warner Bros está no centro do debate
David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, lidera a aquisição da Warner Bros Discovery pela Paramount — negócio avaliado em US$ 110 bilhões (cerca de R$ 582 bilhões). A fusão engloba a CNN, controlada pela Warner Bros. Em 2025, Ellison já havia assumido o comando da CBS News como parte da incorporação da Skydance Media pela Paramount.
O governo Trump deve aprovar a operação. O presidente da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos sinalizou que não bloquearia o acordo. Ainda assim, parlamentares de ambos os partidos levantaram objeções: democratas e republicanos alertaram para possível redução da concorrência no setor e aumento de custos para os consumidores.
Críticos do negócio apontam riscos para a independência editorial das redações envolvidas, especialmente diante dos vínculos de Ellison com o governo Trump. O empresário, por sua vez, garantiu que “a independência editorial será absolutamente mantida”.
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