Arquivos revelam tortura e extermínio em prisões na Síria
Documentos vazados do regime de Bashar al-Assad confirmam o assassinato de mais de 10 mil detidos sob custódia
Uma investigação conduzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) revelou evidências documentais de mais de 10.000 mortes sob custódia do regime sírio de Bashar al-Assad. Os registros, obtidos pela emissora alemã NDR, expõem o funcionamento interno da repressão estatal durante a guerra civil.
O chamado “Dossiê de Damasco” é composto por mais de 134 mil documentos. Incluem certificados de óbito, fotografias de cadáveres e registros burocráticos que detalham como o Estado registrava sistematicamente as mortes que provocava.
O acervo contém dados de segurança e inteligência que fornecem prova de milhares de execuções sob confinamento. Os achados vêm à tona após a queda da ditadura em 2024, enquanto famílias procuram informações sobre pessoas desaparecidas.
A “máquina mortífera” de Bashar al-Assad
A análise de uma amostra de 540 fotografias nos arquivos demonstrou resultados chocantes. Cerca de 75% das vítimas exibiam sinais de inanição, uma das condições mais comuns nas evidências fotográficas.
Quase dois terços dos corpos mostravam indícios de dano físico, como lacerações e contusões. Mais da metade dos cadáveres possuía ferimentos na face, cabeça ou pescoço, em grande parte devido a trauma por objeto sem corte.
Os detidos eram reduzidos a números em um registro sistemático de seus óbitos. As imagens analisadas frequentemente mostram uma ficha branca sobre ou perto do corpo, indicando o número do prisioneiro e a unidade de segurança responsável pela custódia. Em algumas ocasiões, os cadáveres eram marcados diretamente com inscrições na pele.
A burocracia do acobertamento
A pesquisa documenta um padrão burocrático estabelecido para encobrir as causas reais dos falecimentos. A maioria dos atestados foi assinada nos hospitais militares Harasta e Tishreen em Damasco, instalações conhecidas pelo mau tratamento de prisioneiros.
Em quase a totalidade dos casos, a causa de morte registrada era classificada como “parada cardiorrespiratória” ou “parada cardíaca”. Um ex-médico do hospital Harasta afirmou à NDR que os certificados eram preenchidos de antemão e apenas entregues aos doutores para que assinassem.
O ICIJ aponta que houve um esforço deliberado para ocultar a magnitude das violações. Forças de segurança sírias transportaram milhares de corpos por anos desde valas comuns nos arredores de Damasco para locais não revelados no deserto.
A busca e a dor dos familiares
A queda do regime em dezembro de 2024 levou dezenas de milhares de sírios a buscar informações em prisões, hospitais e cemitérios. Para algumas das famílias entrevistadas, os documentos trouxeram a primeira certeza sobre a morte de seus parentes.
Habib Nassar, um representante da Instituição Independente da ONU sobre Pessoas Desaparecidas na Síria, qualificou o colapso do regime como “um enorme terremoto psicológico e emocional” para as famílias. Ele afirmou que a abertura das prisões foi “também o momento em que dezenas de milhares de famílias se deram conta de que seus entes queridos poderiam nunca mais voltar”.
Embora as novas autoridades sírias tenham permitido brevemente que documentos em instalações de segurança fossem fotografados, o acesso aos arquivos foi subsequentemente fechado. Esta decisão impediu o acesso à informação tanto sobre as vítimas quanto sobre os indivíduos responsáveis pelas mortes.
Especialistas e investigadores alertam que pode ser necessária mais de uma década para documentar completamente o destino dos desaparecidos na extensa rede de prisões que operou durante o conflito sírio.
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Comentários (1)
Jose Diogo de Almeida
05.12.2025 09:48Barbarie ... são primitivos ... mundão do cão ... povo miseravel, mesmo a mando de um crapula, como os subordinados podem fazer algo assim com outro ser humano ... que só pp pensa diferente ... obvio tudo isso também por dinheiro. Povo que não evoluiu deste antes de Cristo contunuam ainda nas cavernas.