Por que Hugo Calderano não conseguiu ir aos EUA disputar campeonato?
A recusa se deu em função de uma viagem recente a Cuba, o que complicou sua entrada no país americano
O mesatenista brasileiro Hugo Calderano não pôde participar da etapa do Circuito Mundial de tênis de mesa em Las Vegas, nos Estados Unidos, devido à negativa de seu pedido de isenção de visto.
A recusa se deu em função de uma viagem recente a Cuba, o que complicou sua entrada no país americano.
Calderano, que possui cidadania portuguesa e está acostumado à facilidade de viajar para competições com seu passaporte europeu, foi pego de surpresa pela decisão.
Cidadãos da União Europeia têm direito à isenção de visto (ESTA) para estadias de até 90 dias nos EUA, desde que a viagem seja motivada por turismo, negócios ou tratamento médico.
No entanto, a legislação americana, por meio da Visa Waiver Program Improvement and Terrorist Travel Prevention Act, estabelece que aqueles que visitaram Cuba após uma data específica não são mais elegíveis para essa isenção e devem solicitar um visto B-1/B-2 diretamente no consulado.
Fernando Canutto, advogado especializado em Direito Internacional e imigração nos EUA, explica que isso não constitui uma proibição total para viagens aos Estados Unidos; apenas altera o tipo de visto necessário para quem viajou a Cuba. “É importante ressaltar que agora é exigido um visto B-1/B-2, assim como acontece com os cidadãos brasileiros”, destaca Canutto.
Após a negativa do ESTA, Calderano tentou obter um visto emergencial. Contudo, ele não conseguiu agendar uma entrevista no consulado devido à falta de disponibilidade.
Para conseguir esse tipo de visto, é necessário apresentar uma justificativa para uma emergência imprevista, como um funeral ou o início iminente de atividades acadêmicas ou profissionais.
Canutto menciona que cada embaixada ou consulado possui critérios específicos para esses pedidos. “Normalmente, é necessário comprovar a urgência da situação e apresentar documentação de apoio. Mesmo quando os requisitos são atendidos, o pedido pode ser negado se não houver vagas disponíveis para entrevistas regulares”, afirma o especialista.
Outra alternativa disponível para Calderano seria solicitar um visto como atleta. Entretanto, esse processo tende a ser mais complexo do que o solicitado por meio do passaporte europeu.
O advogado esclarece que o uso da cidadania europeia permite um trâmite mais ágil e menos burocrático para viagens curtas, especialmente quando as regras da ESTA são seguidas.
Por outro lado, o visto de atleta não possui restrições específicas relacionadas a viagens a Cuba. Embora exija comprovação de excelência esportiva e vínculos contratuais, ele pode se enquadrar no Interview Waiver Program (IWP), sem que a visita a Cuba constitua um impedimento legal para sua concessão.
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