TCU faz auditoria nos Correios para apurar irregularidades
Estatal enfrenta maior crise financeira de sua história e tenta negociar empréstimo de R$ 20 bi
O Tribunal de Contas da União (TCU) realiza, até o fim do mês, uma auditoria presencial nos Correios para investigar possíveis irregularidades administrativas, financeiras, operacionais e institucionais no âmbito da gestão da estatal nos últimos anos.
A empresa enfrenta a pior crise de sua história e tenta negociar um empréstimo de R$ 20 bilhões, com aval da União, para manter suas atividades
A fiscalização atende a uma solicitação da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização, Controle e Defesa do Consumidor do Senado, e tem como objetivo avaliar denúncias que apontam falhas graves na administração da companhia.
Investigações
O TCU inspecionará uma série de possíveis irregularidades que constam na representação do Senado.
Entre os pontos que serão analisados, estão atrasos nos repasses ao Postal Saúde, o plano de saúde dos servidores, e pagamentos pendentes a fornecedores.
O órgão também vai apurar doações destinadas ao Rio Grande do Sul que não teriam sido entregues, além de suspeitas de transporte irregular de baterias de lítio, possivelmente em desacordo com normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O TCU ainda examina o contrato de confissão de dívida firmado pelos Correios com o Postalis, fundo de pensão dos funcionários da estatal.
O acordo prevê a transferência de R$ 7,6 bilhões para cobrir metade do déficit do plano de aposentadoria dos empregados.
O rombo dos Correios
Os Correios registraram prejuízo de 4,37 bilhões de reais no primeiro semestre deste ano. No mesmo período do ano passado, o déficit foi de 1,35 bilhão de reais.
Apenas no segundo trimestre, o prejuízo foi de 2,64 bilhões de reais.
No primeiro trimestre, a empresa tinha registrado prejuízo de 1,72 bilhão de reais, o que levou a direção da estatal a cogitar aporte de recursos junto ao governo federal.
A crise na estatal levou ao ex-presidente dos Correios, Fabiano Silva, entregar, em julho, uma carta de renúncia ao Palácio do Planalto.
Para o lugar de Fabiano, Lula escolheu Emmanoel Schmidt Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil.
A explicação de Haddad para a crise dos Correios
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, atribuiu a crise dos Correios à quebra do monopólio.
“Houve a quebra do monopólio e hoje os Correios estão com um passivo de ter que entregar cartas para quem usa ainda os Correios nas regiões mais remotas do país”, afirmou o ministro em entrevista ao programa Canal Livre, da Band.
“Imagina, não tem como você pagar com selo a mandar (sic) uma carta física para o interior de uma região longínqua do país”, acrescentou.
“Então os Correios têm um problema estrutural que é o enorme subsídio daquilo que ficou para ele, porque quem concorre com os Correios não tem nenhuma obrigação de entregar carta. Ele só faz pelo preço que compensa. Então, olha a situação paradoxal que nós criamos. Quebrou-se o monopólio, o Correio ficou com uma obrigação (sic) e ele não tem funding para custear o subsídio”, seguiu.
“Enquanto todos os concorrentes dos Correios vão pegando o filé mignon, a picanha,
e vão deixando os Correios com o osso para o qual ele não tem recurso para subsidiar”, finalizou.
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Comentários (2)
Marian
12.11.2025 23:29Há um ditado que diz : não adianta chorar pelo leite derramado.
Ita
12.11.2025 18:00Arre! se tivesse privatizado não teríamos esse problema hoje. É, e o cabide de emprego, como ficaria? e os políticos, sem votos, que precisam de sobreviver pendurado na viúva.