Efeito Flávio Bolsonaro sacode mercado
Candidatura de Flávio Bolsonaro pressiona dólar e afasta investidores, mas vai alterar decisão do Banco Central sobre juros em janeiro?
O avanço do dólar ganhou novo fôlego desde a última sexta-feira, quando a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência de 2026 entrou no radar dos investidores e empurrou o mercado para uma posição mais defensiva.
A alta da moeda americana, porém, não deve mudar o rumo da decisão de juros do Banco Central em janeiro, segundo agentes do mercado que avaliam que o efeito político é real, mas insuficiente para alterar a estratégia de curto prazo do Copom.
Com o dólar oscilando perto dos R$ 5,47, o choque de humor ficou nítido na B3, que registrou saída de capital estrangeiro e queda nos principais índices.
A leitura dominante é que a entrada de Flávio na disputa torna mais incerto o tabuleiro da direita, sobretudo por pressionar Tarcísio de Freitas, apontado como nome competitivo contra Lula em 2026.
Investidores preferem candidaturas claras, previsíveis e com sinalização econômica mais definida, algo que a movimentação recente ainda não oferece.
Há quem entenda que o esse comportamento do mercado também se dá pelo temor de divisão entre candidaturas de centro e de direita, pois fortaleceria as chances de reeleição de Lula, cuja gestão fiscal, com déficits e dívida pública crescentes, preocupando.
Mesmo assim, o BC não deve usar pontos fora da curva como referência. A governança do Copom tem por hábito focar na média dos últimos dez dias úteis, o que colocaria, hoje, o câmbio mais perto dos R$ 5,40.
Esse distanciamento entre ruídos políticos e parâmetros técnicos reduz a chance de o episódio interferir na taxa Selic em janeiro, quando a autoridade monetária ainda tentará calibrar as expectativas de inflação antes de avaliar se há espaço para um corte.
O episódio de Flávio Bolsonaro serviu também para lembrar que o mercado segue sensível a sinais políticos em um ambiente mundial ainda restrito, com juros ainda altos nos Estados Unidos, ainda que em queda, mantendo o fluxo mais seletivo para países emergentes.
A tensão por aqui apenas acentuou esse cenário, reforçando a busca por proteção e movimentos que devem persistir enquanto a corrida eleitoral não ganhar contornos e candidatos mais claros.
O mercado vai continuar testando cenários e ajustando posições à medida que novos capítulos surgirem, atento a qualquer sinal capaz de redefinir o ritmo das apostas políticas e econômicas no curto prazo mesmo.
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Comentários (2)
Ita
09.12.2025 19:10Esses bos*onarios são os maiores cabo eleitorais de *ula.
Osmair Mendonça
09.12.2025 17:53A ideia da família é criar insegurança e quem sabe, reeleger Lula.