Você sabe qual foi o livro mais censurado nos EUA em 2025?
Segundo relatório da PEN America, houve casos de proibições em relação a mais de 6,8 mil obras em apenas um ano letivo
Laranja Mecânica, sátira distópica escrita por Anthony Burgess, foi a obra literária mais censurada das escolas nos Estados Unidos durante o último ano letivo. Segundo um levantamento da PEN America, que monitora a liberdade de expressão, o livro registrou 23 proibições.
O relatório identificou um total de 6.870 ocorrências de proibições de livros em 87 distritos escolares, abrangendo 23 estados do país. Essas medidas afetaram quase 4.000 títulos únicos no período 2024-2025.
A censura em ambientes educacionais americanos teve um aumento de 171% em relação ao período letivo de 2022-2023. Este crescimento é atribuído a movimentos de viés conservador e novas leis estaduais que ampliaram o controle sobre o conteúdo disponível aos alunos.
A Flórida foi o estado com o maior número de proibições, com 2.305 casos registrados. Em seguida, aparecem o Texas, com 1.781 remoções, e o Tennessee, com 1.622 casos.
Esses estados aprovaram dispositivos legais como o HB 7 (Stop Woke Act) e o HB 1557 (“Don’t Say Gay”), que impõem restrições ao debate sobre temas como raça, gênero e sexualidade nas escolas. Tais dispositivos têm sido utilizados para justificar a remoção de obras que abordam diversidade e desigualdade social.
As proibições costumam ter origem em denúncias de grupos organizados de pais, que contestam o conteúdo sob alegação de material inapropriado. Embora os títulos permaneçam disponíveis em livrarias, o acesso é restrito para estudantes que dependem das bibliotecas escolares e públicas.
A PEN America classificou o cenário como “a maior onda de censura literária da história recente dos EUA”. A organização observa que “nunca antes tantos livros foram sistematicamente removidos das bibliotecas escolares. (…) Nunca tantos políticos tentaram intimidar gestores públicos a censurar conforme suas preferências ideológicas”.
Proibir livros é o novo normal?
Desde 2021, a PEN America documentou quase 23.000 proibições de livros em escolas públicas em 45 estados. Essa prática se tornou comum, visando principalmente obras sobre raça, racismo, indivíduos de cor e pessoas e temas LGBTQ+.
Além do vencedor, outros candidatos a “livro mais censurado da América”
A lista dos quinze livros mais removidos durante o ano letivo 2024-2025 demonstra a diversidade dos títulos afetados. Stephen King, por exemplo, é o autor mais afetado, com 87 títulos banidos.
Além da Laranja Mecânica
A seguir, uma lista das obras que registraram o maior número de ocorrências, além de Laranja Mecânica:
Breathless, por Jennifer Niven: 20 proibições. Uma história sobre o amadurecimento, abordando o divórcio dos pais e o encontro com um guia local misterioso.
Sold, por Patricia McCormick: 20 proibições. Narra a história de Lakshmi, uma jovem de 13 anos no Nepal vendida à prostituição.
Last Night at the Telegraph Club, por Malinda Lo: 19 proibições. Ambientado em 1954, o romance acompanha Lily Hu, uma jovem de 17 anos que visita um bar lésbico.
A Court of Mist and Fury, por Sarah J. Maas: 18 proibições. Uma continuação da série *Corte de Espinhos e Rosas*, que mistura fantasia, romance e intriga política.
Crank, por Ellen Hopkins: 17 proibições. Descreve a luta de Kristina Snow contra o vício em uma droga.
Forever…, por Judy Blume: 17 proibições. Um romance *Young Adult* de 1975, frequentemente alvo de censura por tratar de sexualidade juvenil.
The Perks of Being a Wallflower, por Stephen Chbosky: 17 proibições. O protagonista Charlie lida com as dificuldades do ensino médio, incluindo perdas e o primeiro amor.
Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West, por Gregory Maguire: 17 proibições. É uma prequela recontada de O Mágico de Oz.
All Boys Aren’t Blue, por George M. Johnson: 16 proibições. Uma série de ensaios pessoais do jornalista e ativista LGBTQIA+ sobre sua vida em Nova Jersey e Virgínia.
A Court of Thorns and Roses, por Sarah J. Maas: 16 proibições. O livro de abertura da série, que apresenta a caçadora Feyre sendo arrastada para uma terra mágica.
Damsel, por Elana K. Arnold: 16 proibições. Um conto de fadas sombrio em que uma donzela resgatada descobre a verdade sobre seu salvador.
The DUFF: Designated Ugly Fat Friend, por Kody Keplinger: 16 proibições. Bianca recebe um apelido depreciativo e se envolve em um relacionamento complexo.
Nineteen Minutes, por Jodi Picoult: 16 proibições. O romance aborda os eventos que antecedem e as consequências devastadoras de um tiroteio em uma escola.
Storm and Fury, por Jennifer L. Armentrout: 16 proibições. A protagonista Trinity Marrow é protegida por guardiões contra demônios, até que uma guerra sobrenatural se inicia.
A lista de títulos banidos em pelo menos 12 distritos escolares também inclui obras de autores renomados, como Toni Morrison (The Bluest Eye), Margaret Atwood (The Handmaid’s Tale) e John Green (Looking for Alaska).
A organização PEN America segue documentando e combatendo as proibições, que já se somam mais de 22.800 ocorrências desde 2021.
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