Escritor rima com ditador? María Corina é boicotada em festival
Apesar de três cancelamentos, a participação virtual da política venezuelana, prêmio Nobel da Paz, está mantida
O Hay Festival, evento internacional de literatura e artes, sediado em Cartagena, Colômbia, enfrenta controvérsias antes da realização de sua próxima edição, marcada para janeiro. Ao menos três convidados anunciaram o cancelamento de sua participação no festival, conforme reportado pelo jornal britânico The Guardian.
A causa para as desistências é a presença na programação de María Corina Machado, opositora do ditador Nicolás Maduro e mais recente vencedora do Nobel da Paz. O evento acontecerá em janeiro.
Críticas ao apoio de Donald Trump
O boicote ao festival foi articulado por autores que se posicionam contra o apoio declarado por María Corina ao presidente Donald Trump e a uma potencial intervenção militar na Venezuela. A escritora colombiana Laura Restrepo foi uma das primeiras a anunciar sua retirada do evento.
Restrepo divulgou uma carta pública na qual critica a concessão de espaço à adversária de Maduro: “Nenhuma plataforma deve ser concedida, nem público facilitado, a alguém que, como Machado, promove posições e atividades que subjugam nossos povos e minam a soberania de nossos países”.
Outro colombiano, o escritor Giuseppe Caputo, também declarou que se retiraria do festival. Em sua declaração, Caputo mencionou os ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos no Pacífico, que resultaram em dezenas de mortos.
Em suas redes sociais, disse “se retirar de um festival realizado às margens do bombardeado mar do Caribe, que decidiu convidar alguém que dedicou um prêmio da paz ao fascista responsável por esses crimes”.
Organização do festival não cede à pressão
Apesar das críticas expressas e das subsequentes deserções de convidados, a participação da política venezuelana no festival de literatura está mantida. María Corina Machado tem programada uma conversa de formato virtual com o jornalista venezuelano Moisés Naím no dia 30 de janeiro.
A equipe da vencedora do Nobel da Paz comunicou que ela optou por não emitir nenhuma declaração oficial sobre o protesto iniciado pelos escritores que deixaram a programação.
Em resposta à polêmica gerada pelas retiradas, a organização do Hay Festival informa que respeita a decisão dos autores, mas que o diálogo aberto e a diversidade de perspectivas são elementos essenciais para a “livre troca de ideias e liberdade de expressão”.
A programação do Hay Festival em Cartagena acontecerá conforme o previsto.
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Comentários (1)
MARCOS
17.12.2025 08:51ESSA ESCRITORA LAURA É UMA COMUNISTA CANALHA QUE ADORA DITADORES.