Crusoé: A ópera pop de Rosalía
Novo trabalho da cantora e compositora espanhola é uma ruptura arriscada, mas muito bem-sucedida
“Deus tem me dado tanto, que o mínimo que eu poderia fazer é um disco para Ele”, disse Rosalía ao jornal francês Le Monde, em uma das muitas entrevistas que tem concedido desde o lançamento de Lux, quarto álbum da cantora e compositora catalã.
Faz tempo que a música pop não recebia tanta atenção – e faz tempo que a música pop não merecia a atenção recebida.
Para quem havia gostado das releituras que Rosalía fez do tradicionalíssimo flamenco, para quem havia dançado o reggaeton em Motomami, Lux é um corte, um espanto, uma catarse.
Os adjetivos são muitos porque são muitos os méritos e os riscos assumidos com essa ópera-pop atravessada por angústias mundanas e evocações espirituais.
Lux é ambicioso e, ainda que não cumprisse todas as promessas, valeria pela ambição e pela coragem. Mas cumpre.
Herege do flamenco, santa do pop
Rosalía Vila nasceu em Sán Esteban de Sasroviras, localidade com pouco mais de 7 mil habitantes, nas proximidades de Barcelona.
Sobre sua origem, certa vez resumiu: “Filha de pais muito trabalhadores”.
Tomou gosto pelo flamenco durante a adolescência, quando descobriu o trabalho de Camarón de la Isla (1950-1992), uma figura respeitada do gênero.
Levou a música a sério, e se especializou em canto flamenco e em técnica lírica no Catalunha College of Music de Barcelona.
Inquieta, juntou ao balaio do flamenco a música lírica, misturou à cultura trap, ao rap e à música feita de sintetizadores e batidas eletrônicas.
Essa (con)fusão sonora aproximou Rosalía de músicos e estilos distintos entre si, e resultou em Los Ángeles, produzido em parceria com o multi-instrumentista Raül Refree.
A estreia foi bem recebida pela crítica, ainda que tenha provocado reações. Críticas que se avolumaram com El mal querer, em que pega um atalho ao pop mais, digamos, reconhecível por millennials e seus descendentes.
Para vanguardistas, ela aproximava sua geração do flamenco; para ortodoxos, aproximava sua geração de um flamenco…
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