Ana Paula Tavares, escritora angolana, vence Prêmio Camões 2025
Poeta e historiadora é agraciada com a maior distinção literária lusófona, concedida anualmente pelos governos de Brasil e Portugal
A escritora angolana Ana Paula Tavares, poeta e historiadora de 72 anos, foi declarada a vencedora da edição de 2025 do Prêmio Camões, o reconhecimento de maior prestígio entre as literaturas de língua portuguesa. O anúncio do resultado da premiação foi feito pela Fundação Biblioteca Nacional na tarde desta quarta-feira, 8.
O júri atribuiu a honraria em razão da “coerente trajetória de criação estética” da autora, e pelo “resgate da dignidade da poesia”. A laureada receberá 100 mil euros e um diploma formal assinado pelos presidentes de Brasil e Portugal.
Reconhecimento de obra e carreira
A distinção é conferida pelos governos de Brasil e Portugal. O corpo de jurados destacou, em comunicado enviado à imprensa, que a obra de Ana Paula Tavares adquire uma relevante dimensão antropológica e perspectiva histórica. Isso ocorre através do seu lirismo sem “concessões evasivas” e por meio dos “livres compromissos da produção em crônica e em ficção narrativa”.
A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, afirmou que o conjunto da obra da escritora demonstra a “potência das vozes africanas e femininas” no cenário literário.
Marco Lucchesi, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, definiu a vencedora como uma “representante extraordinária” da lusofonia. Ele ressaltou que a atuação de Tavares como poeta, ensaísta e pesquisadora converge em um compromisso ético. Seu olhar é orientado pela urgência, diz Lucchesi, ao abordar e reivindicar as questões da África, do Brasil e de Portugal.
Lucchesi disse ainda que Tavares tem “sensibilidade extraordinária porque é grande poeta, e o poeta se relaciona com diversos gêneros, e com grande intimidade, como é seu caso, entre o ensaio e a pesquisa”.
Maior prêmio da língua portuguesa
O Prêmio Camões foi instituído em 1988. Seu estabelecimento pelos governos de Brasil e Portugal tinha como objetivo estreitar os laços culturais entre as nações que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O reconhecimento é concedido a autores que contribuíram para o enriquecimento do patrimônio cultural e literário da língua portuguesa.
Desde a sua criação, a honraria já contemplou 36 autores. Os vencedores procedem de cinco países lusófonos: Brasil, Portugal, Moçambique, Angola e Cabo Verde.
A poeta mineira Adélia Prado foi a premiada da edição de 2024. Entre os autores brasileiros que já receberam a distinção estão nomes como João Cabral de Mello Neto, Lygia Fagundes Telles e Chico Buarque. Dalton Trevisan e Raduan Nassar também compõem a lista de laureados brasileiros.
O júri responsável pela escolha de Ana Paula Tavares em 2025 foi composto por acadêmicos e críticos de diversas nações lusófonas. Entre os integrantes estavam o professor José Carlos Seabra Pereira, da Universidade de Coimbra, e a professora Ana Mafalda Leite, da Universidade de Lisboa.
O professor Francisco Noa, da Universidade Eduardo Mondlane, e o escritor Lopito Feijó, crítico literário angolano, representaram a contribuição africana. O corpo de jurados brasileiro incluiu a professora Lucia Santaella, da PUC-SP, e Arno Wehling, que é professor, historiador e membro da Academia Brasileira de Letras.
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