Vereador do Rio investigado por ligação com CV é solto
Salvino Oliveira (PSD) diz ser vítima de uma "grande injustiça" e repetiu discurso de Paes sobre perseguição política
O vereador Salvino Oliveira (PSD) foi liberado da Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio, na tarde desta sexta-feira, 13.
O desembargador Marcus Henrique Basílio aceitou o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa do político e determinou sua soltura.
Oliveira é alvo e uma investigação contra a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV). Ao deixar o presídio, afirmou que estava sendo “vítima de uma grande injustiça”.
Ele repetiu o discurso do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, de que o governo estadual estava perseguindo “opositores políticos”.
“Agora, não pense que vai ficar assim. Esses que tão trabalhando de maneira tão esquisita para prender opositores políticos agora devem ser investigados, e a gente vai cobrar que a Justiça alcance essas pessoas que me trataram dessa maneira”, afirmou o vereador.
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Habeas corpus
Segundo o magistrado, os elementos apresentados até agora na investigação são insuficientes para justificar a manutenção da prisão do vereador.
“Especificamente, porém, com relação ao paciente, atento exclusivamente ao que consta nos autos, o fundamento da prisão quanto ao indício do seu envolvimento naquela organização é bastante precário”, escreveu o desembargador.
Basilio acrescentou que a principal referência feita ao nome de Salvino é uma conversa entre terceiros registrada há mais de um ano.
“Não se pode confundir a prisão cautelar (instrumental) com a definitiva (punição). Essa reclama condenação transitada em julgado, não podendo aquela ser decretada sem que haja mínimo elemento informativo do envolvimento do indiciado na organização criminosa em apuração”, afirmou.
Apesar da soltura, o magistrado determinou o cumprimento de medidas cautelares. Salvino não poderá se ausentar do Estado por mais de 15 dias sem autorização judicial e está proibido de manter contato com os demais investigados.
Paes e Castro
Nas redes sociais, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), divulgou um vídeo rebatendo as acusações do governador Cláudio Castro (PL) de que as organizações criminosas vêm se infiltrando na administração municipal ao longo dos anos.
Em resposta, Paes defendeu que o parlamentar seja punido caso seja comprovado o envolvimento com o crime organizado, mas criticou o que chamou de instrumentalização política das forças policiais por parte do governador.
“Eu e o governador Cláudio Castro somos muito diferentes. Eu não sou conivente com nenhum tipo de ilegalidade. Quero dizer aqui que se ficar comprovado qualquer envolvimento do vereador ou de quem quer que seja, eu vou ser o primeiro a cobrar punição e exigir que a Justiça seja feita. Aqui, não se passa mão em cabeça de quem faz coisa errada.
O que não dá para aceitar é algo que venho denunciando há muito tempo: o uso político das forças policiais comandadas pelo governador Cláudio Castro. E muito menos a infiltração do crime organizado na política. Esses são dois problemas centrais da grave crise de segurança pública que a gente vive aqui no estado do Rio”, disse.
No vídeo, Paes afirmou que Castro é “omisso” e “conivente” com aliados que se envolvem com crimes. O prefeito citou casos envolvendo ex-integrantes da área de segurança pública do governo estadual.
Salvino Oliveira
Salvino Oliveira foi eleito vereador do Rio de Janeiro com cerca de 27 mil votos e cumpre o primeiro mandato na Câmara Municipal.
Natural da Cidade de Deus, ele ganhou projeção política na zona oeste da capital fluminense, região onde construiu parte de sua base eleitoral.
Além da prisão do vereador, os agentes cumpriram mandados contra outros investigados que, segundo a polícia, fariam parte de uma rede de apoio da facção.
As autoridades também analisam movimentações financeiras, documentos e comunicações obtidas ao longo da investigação para identificar possíveis novos envolvidos.
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