Toffoli determinou quebra de sigilo de 101 investigados no caso Master
Entre alvos estão dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seu cunhado, o pastor e empresário Fabiano Zettel
A Polícia Federal avançou nas investigações sobre o Banco Master com a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas físicas e jurídicas. A medida foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão de 6 de janeiro cujo sigilo foi retirado nesta sexta-feira, 16.
A solicitação partiu da PF com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR) e abrange movimentações financeiras entre outubro de 2020 e outubro de 2025.
Segundo o STF, há indícios de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, indução de investidores em erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Na decisão, Toffoli afirmou que os elementos reunidos indicam o “aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização, notadamente mediante o uso de fundos de investimento e intrincada rede de entidades conectadas entre si por vínculos societários, familiares ou funcionais.”
Para o ministro, o procurador-geral acertou ao pedir que o caso fosse remetido ao Supremo, por envolver apurações mais amplas do que as da Operação Compliance Zero.
Além da quebra de sigilos, Toffoli determinou o sequestro e o bloqueio de bens de 38 investigados, em valores que podem chegar a R$ 5,77 bilhões.
As medidas foram cumpridas no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero.
Entre os alvos estão o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seu cunhado, o pastor e empresário Fabiano Zettel. Também aparecem pessoas do círculo empresarial do banqueiro, como o fundador da Reag, João Carlos Mansur, o ex-sócio Maurício Antonio Quadrado e o empresário Nelson Tanure.
Zettel é cotista de fundos administrados pela Reag Investimentos que aportaram cerca de R$ 20 milhões no resort Tayayá, no Paraná, empreendimento que teve familiares de Toffoli como principais acionistas.
Por se tratar de investigação em curso, os nomes completos dos alvos permanecem sob sigilo judicial, acessíveis apenas às partes e às autoridades responsáveis.
Leia mais: A ligação entre o cunhado de Vorcaro e a família Toffoli
Toffoli e o Master
Como mostramos, duas empresas ligadas a parentes de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à rede de fundos usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades. A informação consta de documentos e bases oficiais analisados pela Folha.
De acordo com a reportagem, o Arleen manteve participações na Tayayá Administração e Participações, que teve integrantes da família de Toffoli como sócios, e na DGEP Empreendimentos, incorporadora da mesma cidade que tinha como sócio um primo do ministro.
Como revelou O Antagonista, em setembro de 2021, José Carlos e José Eugênio, irmãos de Toffoli, eram sócios do Tayayá Aqua Resort.
A ligação do Arleen Fundo de Investimentos com o caso Master ocorre por meio de uma cadeia de fundos. O Arleen foi cotista do RWM Plus, que também recebeu recursos de fundos ligados ao Maia 95, apontado pelo Banco Central como parte da suposta teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O Arleen não é alvo direto da investigação.
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Comentários (2)
Junior
17.01.2026 19:45Liberou só os peixinhos...
Antonio Carlos
17.01.2026 14:28Tofgoli lulista nem devia ser responsável pelo inquérito. Seua parente e ele tem vínculo com vorcaro e seu banco pirâmide