Rodolfo Borges na Crusoé: E o pacto de Abel?
O elogio mais autêntico ao treinador do Palmeiras é também a provocação mais ofensiva adversários, que já foi tema de Marlowe, Goethe e Mann
Entre todos os elogios que se possa fazer ao desempenho de Abel Ferreira como técnico do Palmeiras, o mais autêntico é também a provocação mais ofensiva dos torcedores adversários: de que ele só pode ter feito um pacto com o diabo para ganhar tanto e em situações tão adversas.
Trata-se de uma brincadeira, obviamente, que não merece ser levada a sério, mas traduz o fascínio provocado pelo sucesso do treinador mais vitorioso da história do Palmeiras, cujo méritos nem sempre são bem compreendido, porque nem sempre são fáceis de entender e justificar.
A história do pacto é equivalente ao apelido “bambi” atribuído aos são-paulinos numa época em que não era possível questionar o futebol praticado pelo São Paulo, e Milton Neves dizia que torcer pelo tricolor paulista era uma grande moleza.
Que pacto?
Abel falou sobre o tal pacto quando perguntado por um repórter após a traumatizante derrota para a LDU na altitude de Quito por 3 a 0 — epicamente revertida com um 4 a 0 no jogo de volta.
Um jornalista teve o despeito de questionar o português sobre o assunto em entrevista coletiva. Mas, quando confrontado pelo treinador com uma outra pergunta — “Pacto com o quê?” — deu alguns passos atrás, e falou que se tratava de um “pacto com alguma coisa boa que faz com que o Palmeiras vença e ganhe títulos”.
“Eu vivo do trabalho só, e das boas energias, que é acreditar naquilo que faço”, respondeu o treinador, acrescentando que acreditava que era possível reverter o resultado de Quito no Allianz Parque — como de fato ocorreu uma semana depois.
Fausto
Essa história do pacto com o diabo surgiu a partir da vida de um alquimista alemão chamado Johann Georg Faust, que deu origem a uma lenda e, posteriormente, a obras literárias de gigantes como Christopher Marlowe, Goethe e Thomas Mann.
No caso do romancista alemão, a história é contada em Doutor Fausto: a vida do compositor alemão Adrian Leverkühn narrada por um amigo (Companhia das Letras).
Mann toma o cuidado de não deixar claro se há ou não a formalização de um pacto, porque Leverkühn conversa com o diabo durante um momento de delírio provocado por uma doença.
“O que importa…
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