Roberto Ellery na Crusoé: Sem querer ser chato, mas é melhor cuidar da dívida pública
O espaço para o atual governo seguir ajustando as contas pelo lado da receita é muito menor do que parece
O jornal Folha de S. Paulo noticiou no dia 6 de abril que os estímulos à economia devem ultrapassar 742 bilhões de reais em 2026, mais que o dobro do previsto para 2025.
Em uma economia que já opera com taxas de desemprego baixas, como a brasileira atual, é altamente questionável o impacto real desses incentivos sobre o crescimento do PIB.
Afinal, quem as empresas vão contratar para ampliar a produção e atender à suposta nova demanda?
O mais provável é que tanto estímulo acabe tendo mais efeitos nos preços do que na atividade econômica, dificultando ainda mais a tão esperada queda dos juros.
Como tenho comentado em outras colunas nesta Crusoé, a combinação de expansão fiscal e juros elevados alimenta um crescimento acelerado da dívida pública.
Alguns economistas insistem que não há motivo para preocupação: basta olhar para países ricos, onde a dívida como proporção do PIB é bem maior que a nossa. O problema desse argumento é ignorar dois detalhes cruciais.
Primeiro, esses países têm acesso muito mais fácil ao crédito internacional. Segundo, e mais importante, eles se financiam a juros bem mais baixos do que o Brasil.
Para dar dimensão concreta ao problema brasileiro, consultei os dados do FMI sobre dívida pública bruta como porcentagem do PIB relativos aos países da América Latina e Caribe, excluindo países com menos de cinco milhões de habitantes.
Embora os números do Fundo difiram metodologicamente dos oficiais brasileiros, a padronização permite comparações mais justas.
Para 2025, obtive dados de 15 países. O recordista foi a Bolívia, com 92,4% da dívida sobre o PIB.
A Argentina aparece com 73,1%, o México com 60,7% e o Chile, eterno “bom exemplo” latino-americano, com apenas 43%.
A média do grupo…
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Comentários (1)
Marian
11.04.2026 11:11Estímulos de 742 BILHÕES?! Que absurdo! As nossas empresas estão indo para o Paraguai! Ninguém quer empréstimo! Chega a dar um siricutico