Ratinho não tem opiniões, mas sim “interesses”, diz Erika Hilton
Deputada federal do Psol voltou a criticar apresentador por comentários considerados transfóbicos que fez sobre ela
A deputada federal Erika Hilton voltou a criticar o apresentador Ratinho, neste sábado, 14, por causa das falas consideradas transfóbicas que ele proferiu no Programa do Ratinho ao reclamar da eleição dela para o comando da Comissão da Mulher na Câmara. Erika disse que o apresentador não tem opiniões, mas sim “interesses”, e ressaltou que a Procuradoria-Geral Eleitoral pediu que ele seja investigado por violência política de gênero contra ela.
A parlamentar se manifestou pelo X. “Um apresentador que ignora o crescimento dos feminicídios, da misoginia e da violência contra nós, mulheres brasileiras, decidiu me atacar em plena TV aberta por presidir a Comissão das Mulheres da Câmara. Isso tem nome: violência política de gênero. Um crime eleitoral grave, de quem usa o machismo, a misoginia e a transfobia para obter vantagens políticas para alguém, como um filho que quer se eleger, ou causar danos às mulheres na política”, iniciou Erika.
“‘Ah, mas é só a opinião dele!’ Primeiramente, transfobia, assim como qualquer forma de LGBTfobia, não é opinião, é crime. Mas onde está a opinião de Ratinho sobre o fato da Câmara Municipal de Curitiba, onde a sua família mora e seu conglomerado de mídia está sediado, sequer ter uma Comissão da Mulher?”.
Ela prosseguiu: “Onde estava a opinião de Ratinho sobre o fato da Comissão da Mulher da Câmara de São Paulo, onde ele mesmo tem residência para gravar seus programas, ter sido composta apenas por homens menos de dois anos atrás? Onde estava a opinião de Ratinho sobre o fato da própria Câmara esperar até 2016 para criar a Comissão da Mulher? Onde está a opinião de Ratinho sobre o fato de nós, mulheres, sermos mais de 51% da população e apenas 18% da Câmara e 20% do Senado?”.
Erika ainda questiona onde estava a opinião Ratinho quando parlamentares como Nikolas Ferreira tentaram aprovar os chamados PL do Estupro e do PDL da Pedofilia, e quando, nesta semana, senadores da direita discursaram contra projeto que criminaliza a misoginia.
“Ratinho não tem ‘opiniões’ sobre nada disso. Nenhum dono de conglomerado de mídia tem ‘opiniões’. Essa gente tem INTERESSES. E o que lhe interessa não é a Comissão da Mulher”, prossegue.
“Aliás, se lhe interessasse, ele teria pesquisado meu histórico de luta por todas as mulheres e saberia que fui eleita pelas mulheres deputadas da Comissão e sequer haviam outras candidatas. E, por usar seu espaço na mídia para praticar a violência política de gênero, a Procuradoria-Geral Eleitoral pediu que Ratinho seja investigado”.
MPF pediu condenação
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou na sexta-feira, 13, uma ação civil pública contra Ratinho e o SBT por causa das falas consideradas transfóbicas.
Na ação, o MPF pede que Ratinho e a emissora sejam condenados a pagar multa de 10 milhões de reais, a título de indenização por danos morais coletivos. E que o SBT retire, de imediato, a íntegra do programa de seus sites e redes sociais, “como forma de limitar o dano perpetrado pelas falas discriminatórias e preconceituosas”.