Polícia Federal nega vazamento de dados da Operação Compliance Zero
PF afirma que não seleciona nem manipula conversas apreendidas e pede apuração sobre divulgação de informações
A Polícia Federal negou, nesta sexta-feira, 6, qualquer vazamento de dados no âmbito da “Operação Compliance Zero“, que investiga suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. No comunicado, a corporação afirmou que atua nas investigações seguindo “rigorosos padrões de segurança” no tratamento de informações e na preservação dos direitos fundamentais dos investigados, incluindo o “respeito à privacidade e à intimidade“.
Segundo a PF, os relatórios e representações encaminhados à Justiça no curso da investigação contêm apenas dados considerados relevantes para a instrução do caso e que nenhuma informação relacionada à vida privada ou à intimidade dos investigados foram incluídas. A PF também afirmou que não cabe à polícia editar ou selecionar conversas extraídas de celulares e outros equipamentos apreendidos durante operações. Segundo a nota, qualquer tipo de manipulação desse material poderia comprometer o direito ao contraditório e à ampla defesa, garantidos pela Constituição.
“Não compete à Polícia Federal editar conversas, selecionar ou manipular dados extraídos de equipamentos apreendidos”, afirmou a instituição.
De acordo com a Polícia, os materiais recolhidos durante a operação estão sob custódia da corporação desde novembro de 2025. Em janeiro de 2026, o conjunto de informações foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito das investigações em andamento. Posteriormente, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a defesa dos investigados passou a ter acesso à integralidade dos dados reunidos no processo. A Polícia Federal também informou que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS recebeu informações relacionadas ao objeto da investigação por determinação judicial.
No mesmo comunicado, a corporação informou que encaminhou ao ministro responsável pelo caso uma representação solicitando a abertura de apuração sobre a possível divulgação indevida de informações sigilosas. Segundo a PF, a iniciativa partiu por orientação do diretor-geral da instituição e tem como objetivo identificar a origem da divulgação de dados e verificar eventual quebra de sigilo.
Nesta sexta-feira, o ministro André Mendonça determinou a abertura de inquérito para apurar o vazamento de mensagens atribuídas a Vorcaro, extraídas de celulares apreendidos pela Polícia Federal no âmbito da investigação. A decisão atendeu a um pedido da defesa do banqueiro, que alegou que trechos das conversas passaram a circular publicamente antes de terem acesso integral ao material reunido no processo. Ao autorizar a apuração, Mendonça determinou que a Polícia Federal investigue a origem da divulgação das mensagens e eventuais responsabilidades pelo vazamento.
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