O puxão de orelha do PL em Flávio Bolsonaro
Senador será cobrado pelo fato de não ter avisado aos seus colegas de partido sobre conversas com Daniel Vorcaro
Integrantes do PL pretendem ‘puxar a orelha’ do senador Flávio Bolsonaro (RJ) durante reunião da bancada que será realizada nesta terça-feira, 19, na sede do partido.
Conforme o que apurou O Antagonista, alguns integrantes da sigla ainda estão ressentidos pelo fato de terem sido ‘pegos de surpresa’ com as revelações das conversas entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Na visão dessa ala do PL, o problema não foi a conversa em si. Mas o fato de ela não ter sido revelada previamente pelo parlamentar.
A situação colocou o núcleo da campanha em uma ‘saia-justa’. Na visão de alguns membros do partido ouvidos por O Antagonista, Flávio deveria ter, ao menos internamente, falado sobre as conversas com senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial.
Ainda segundo essa ala do PL, mesmo que no contrato entre o conglomerado Master e a produção do filme Dark Horse, em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, estivesse prevista uma cláusula de confidencialidade, Marinho precisava ter conhecimento das tratativas com Vorcaro para estruturar, previamente, um plano de gerenciamento de crise.
As mensagens de Flávio a Vorcaro
Mensagens obtidas pelo site The Intercept, apontam que Flávio Bolsonaro cobrou o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, por pagamentos destinados à produção do filme.
Flávio diz a Vocaro que estava “sem graça de ficar cobrando” o banqueiro, mas demonstrou preocupação com atrasos nos pagamentos da equipe internacional envolvida no longa.
Segundo o senador, havia receio de que a produção acabasse dando “calote” no ator Jim Caviezel, protagonista do filme, além do diretor Cyrus Nowrasteh e demais profissionais estrangeiros contratados.
De acordo com a reportagem, Daniel Vorcaro teria pago ao menos 10 milhões de dólares (cerca de 60 milhões de reais) entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações destinadas à produção do filme Dark Horse.
A promessa total de investimento no longa era de 24 milhões de dólares, cerca de 134 milhões de reais.
O financiamento do filme
Já relatórios de inteligência financeira (RIFs) feitos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que a Entre Investimentos, empresa que teria intermediado os repasses do banqueiro Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse recebeu 159,2 milhões de reais de fundos investigados pela Polícia Federal no âmbito do caso Master.
Segundo o G1, ao menos 139,2 milhões de reais foram repassados pela Sefer Investimentos, alvo da segunda fase da Compliance Zero, em janeiro de 2026.
O fundo Gold Style, administrado pela Reag e ligado ao banqueiro, transferiu outros 20 milhões de reais.
Esse fundo teria movimentado quase 1 bilhão de reais de empresas suspeitas de integrarem um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado financeiro.
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