“O delegado se sentiu ofendido por post no Instagram”, diz advogada presa
Áricka afirma que apenas divulgou arquivamento de boletim e nega difamação
A advogada Áricka Rosalia Alves Cunha afirmou que não difamou o delegado Christian Zilmon ao comentar, nas redes sociais, o arquivamento de um boletim de ocorrência registrado por ela.
Segundo ela, a publicação apenas relatava o despacho da autoridade policial.
“O delegado se sentiu ofendido por esse post no Instagram, no qual eu demonstro que foi arquivado. Eu não mencionei ele, eu não falei mal da pessoa dele. Eu simplesmente divulguei o ocorrido, o despacho de que foi arquivado”, disse à TV Anhanguera.
A manifestação foi feita após a advogada ter sido presa, na quarta-feira, 15, em Cocalzinho de Goiás, sob acusação de desacato. Ela foi liberada após pagamento de fiança de R$ 10 mil.
O caso teve início em março, quando Áricka registrou um boletim de ocorrência após ser ofendida nas redes sociais.
Ela havia publicado uma ação de coleta de assinaturas por melhorias urbanas e relatou ter sido chamada de “loira idiota” em um comentário.
Dias depois, o registro foi arquivado provisoriamente pelo delegado responsável, sob a justificativa de falta de efetivo na delegacia. A decisão motivou a publicação feita pela advogada.
Repercussão
A prisão da advogada gerou reação de entidades da área jurídica.
A OAB Nacional informou que atua em conjunto com a seccional de Goiás para garantir o afastamento do delegado e a responsabilização dos envolvidos.
A entidade aponta possível abuso de autoridade e violação das garantias profissionais previstas em lei.
O presidente da OAB, Beto Simonetti, afirmou que a condução da advogada contraria a ordem jurídica.
“A condução da profissional, nos moldes em que se deu, é incompatível com a ordem jurídica e configura, em tese, abuso de autoridade, além de representar grave violação das prerrogativas asseguradas pelo Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94). O livre exercício da advocacia não admite constrangimentos ilegais nem medidas arbitrárias por parte de agentes públicos.”
Na mesma linha, o presidente da OAB-GO, Rafael Lara Martins, classificou a atuação como arbitrária e defendeu investigação.
“É desrespeitosa, ilegal e flagrantemente arbitrária a atitude do delegado. A autoridade que o cargo lhe investe não é privilégio para que atue em causa própria, atropelando o direito dos cidadãos e as leis que deveria proteger. Sua conduta precisa ser investigada pela entidade correicional e punida como exemplo de que função pública exige responsabilidade e moderação.”
Leia também: Prisão de advogada em Goiás gera reação política e mobiliza OAB
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Comentários (1)
Vitor Carlos Marcati
18.04.2026 10:53Nossa suprema corte tá fazendo escola, a avacalhação é geral