Moraes suspende atos do IOF e chama conciliação entre governo e Congresso
Governo Lula judicializou a questão após o Congresso derrubar o decreto presidencial
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta sexta-feira, 4, a suspensão dos atos do governo federal e do Congresso sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
O magistrado convocou uma audiência de conciliação entre o Executivo e o Legislativo.
“Existindo fortes argumentos que indicam a existência de razoabilidade na imediata suspensão da eficácia dos decretos impugnados, inclusive porque esse indesejável embate entre as medidas do Executivo e Legislativo, com sucessivas e reiteradas declarações antagônicas contraria fortemente o artigo 2º da Constituição Federal que, mais do que determinar a INDEPENDÊNCIA dos Poderes, exige a HARMONIA entre eles, como princípio básico e inafastável de nosso Estado Democrático de Direito em busca do bem comum para toda a Sociedade brasileira, com fundamento no art. 10, § 3º, da Lei 9.868/1999, e no art. 21, V, do RISTF, CONCEDO A MEDIDA CAUTELAR, ad referendum do Plenário desta SUPREMA CORTE, para SUSPENDER os efeitos dos Decretos Presidenciais 12.466/2025, 12.467/2025 e 12.499/2025, assim como do Decreto Legislativo 176/2025”, diz Moraes na decisão.
A audiência de conciliação foi marcada para 15 de julho.
“O mandamento constitucional previsto no artigo 2º é real e concreto, tendo por objetivo pautar as relações dos Poderes Executivo e Legislativo no binômio INDEPENDÊNCIA e HARMONIA, sendo, portanto, necessário na presente hipótese a DESIGNAÇÃO DE AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO, a ser realizada, após a juntadas das informações, no dia15 de julho de 2025, às 15h00, na SALA DE AUDIÊNCIAS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, para a qual deverão ser intimadas as Presidências da República, do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, a Procuradoria-Geral da República, a Advocacia-Geral da União e as partes. Após a realização da audiência de conciliação, será analisada a necessidade de manutenção da medida liminar concedida”, afirmou Moraes.
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Moraes defende o STF
Na decisão, Moraes fez ainda uma defesa do Supremo das acusações de ativismo judicial.
“Importante destacar que, a presente decisão – instaurada por ações propostas tanto pela Chefia do Poder Executivo, quanto pelo maior Partido de Oposição e por Partido da Base governista – demonstra a importância da EFETIVA JURISDIÇÃO CONSTITUCIONAL exercida por esse SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, para afirmar a VALIDADE ABSOLUTA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, com o reconhecimento pelos demais Poderes da República da necessidade dessa SUPREMA CORTE exercer sua COMPETÊNCIA JURISDICIONAL para resolver os graves conflitos entre os demais Poderes da República pautados na interpretação do texto constitucional.
As ações proposta, igualmente, demonstram a importância de NÃO SE CONFUNDIR O EXERCÍCIO DA LEGÍTIMA COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL com um suposto e indefinido ativismo judicial e AFASTAM A CONFUSÃO entre discursos vazios de auto-contenção do Poder Judiciário com sugestões para uma TRÁGICA OMISSÃO ou a GRAVE PREVARIÇÃO ou mesmo COM UMA INACEITÁVEL COVARDIA INSTITUCIONAL PARA QUE NÃO SE DECIDA E NÃO SE FAÇA PREVALECER O TEXTO CONSTITUCIONAL.”
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Comentários (3)
CLAUDIO NAVES
04.07.2025 15:31Tirou poder de dois poderes ao mesmo tempo. Começou a esperada bagunça , isso tudo vai gerar a mais genuína merda constitucional !
Fabio B
04.07.2025 13:04O STF não está exatamente jogando junto do governo, está se colocando acima. A Globo foi outra que não tomou o lado do governo como normalmente faz, então talvez estejamos presenciando uma virada das forças que comandam o país.
Claudemir Silvestre
04.07.2025 11:46É isso que acontece quando um país NÃO TEM PRESIDENTE, NÃO TEM COMANDO !! Brasil esta a DERIVA faz anos !!!