Moraes é sorteado relator de ações sobre Lei da Dosimetria
Ações apresentadas por partidos e entidade de imprensa chegaram ao ministro por sorteio e prevenção
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, tornou-se relator das ações que contestam a validade constitucional da Lei nº 15.402/2026 – a Lei da Dosimetria – promulgada na última sexta-feira pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A norma, que altera critérios de fixação e cumprimento de penas no Código Penal e na Lei de Execução Penal, foi aprovada pelo Congresso após a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pode reduzir o tempo de prisão de condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Como os processos chegaram a Moraes
A distribuição seguiu o rito ordinário da Corte. O primeiro processo foi atribuído ao ministro por sorteio eletrônico. O segundo, protocolado na sequência sobre o mesmo objeto, foi direcionado ao mesmo gabinete pelo mecanismo de prevenção, que concentra casos correlatos sob um único relator.
As ações foram ajuizadas pela Federação PSOL-Rede e pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Ambas pedem a declaração de inconstitucionalidade da lei, sob o argumento de que o texto confere tratamento mais brando a crimes cometidos contra a ordem democrática. O PT anunciou que também deve protocolar uma ação semelhante.
O que a lei altera
A norma modifica regras de progressão de regime, remição de pena e cálculo de condenações. Entre os pontos centrais, proíbe a soma de penas por crimes de mesma natureza — como golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito — e permite o avanço ao regime semiaberto após o cumprimento de aproximadamente 16,6% da pena total.
O texto tem incidência direta sobre os réus condenados em razão dos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Segundo a fonte, a lei também pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em razão do agravamento de seu estado de saúde.
Durante a votação no Senado, os parlamentares retiraram um trecho do projeto que se sobrepunha ao chamado PL Antifacção — aprovado posteriormente pelo Congresso e com potencial alcance sobre condenados por outros crimes. O presidente do Senado afirmou caber à Mesa do Congresso “compatibilizar a intenção do legislador” entre as duas propostas.
Com a relatoria definida, caberá a Moraes decidir se submete as ações ao plenário do STF e se adota medidas cautelares para suspender os efeitos da lei enquanto o mérito é julgado.
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Comentários (2)
Osmair Mendonça
09.05.2026 21:01Claro, ele se declarou impedido. Ah, estamos no Brasil .
Osmair Mendonça
08.05.2026 23:30No Brasil até ó passado é incerto. O juízo responsável pelas barbáries é comprovadamente corrupto, vai julgar decisão do senado. Bem feito para essa casa que pouco vale.