"Ministro Zanin, isso não aconteceu nem na Operação Lava Jato"

12.12.2025

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“Ministro Zanin, isso não aconteceu nem na Operação Lava Jato”

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 12.11.2025 12:59 comentários
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“Ministro Zanin, isso não aconteceu nem na Operação Lava Jato”

"Nós derrubamos o castelinho de areia da acusação e provamos a inocência do Azevedo", disse o advogado Jeffrey Chiquini no julgamento da trama golpista

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“Ministro Zanin, isso não aconteceu nem na Operação Lava Jato”
Foto: Rosinei Coutinho/STF

Jeffrey Chiquini (foto), defensor do tenente-coronel do Exército Rodrigo Bezerra de Azevedo no julgamento da trama golpista, pediu nesta quarta-feira, 12, a suspensão do processo até que seja apresentado laudo pericial do celular apreendido de seu cliente.

O advogado também pediu a absolvição de seu cliente.

A questão se trata do monitoramento do ministro Alexandre de Moraes, que, segundo a Polícia Federal, foi feito em 15 de dezembro de 2022, como parte do “Plano Punhal Verde e Amarelo”.

Segundo Chiquini, que também é advogado de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, a acusação não incluiu Azevedo nos eventos preparatórios do plano, e nem mesmo na execução.

Tudo o que ligaria Azevedo à ação, segundo o defensor, é o fato de que um dos celulares identificados como utilizados naquele dia passou a ser usado 14 dias depois por Azevedo.

“Nós derrubamos o castelinho de areia”

“Nós derrubamos o castelinho de areia da acusação e provamos a inocência do Azevedo”, defendeu Chiquini, dizendo que seu cliente pediu uma refeição do Spoleto em casa, para comer com a família, na noite em que o monitoramento do plano de “neutralização” de Moraes teria ocorrido.

“Ministro Alexandre Moraes, a Polícia Federal tem que ser oficiada a apurar a investigação feita pelo delegado Fábio Shor. É dever da Procuradoria Geral da República que esse delegado seja investigado”, cobrou Chiquini, em referência ao delegado responsável pela investigação.

Questionado por Moraes sobre a ausência de fotos que provassem seu ponto, Chiquini cobrou o laudo pericial sobre o celular, para poder apresentar as provas a que não conseguiu acesso.

“Então, Excelência, essa pergunta, ela é maravilhosa. Eu agradeço o senhor por fazê-la. Vamos suspender esse ato. Eu coloco isso. Então, vamos suspender esse julgamento, oficiar a Polícia Federal para que forneça o laudo de extração do celular do Azevedo e todos nós tiraremos essa conclusão. Eu não tenho, senhor ministro, o laudo de extração do celular do coronel apreendido, que está com o delegado”, argumentou o advogado, dizendo que tudo o que apresenta como prova foi tirado da esposa de seu cliente.

“Eu estou buscando prova diabólica. Que processo penal é esse? Eu estou tendo que usar prova do celular da esposa, prova do celular da irmã, sendo que o delegado tem o celular do coronel Azevedo nas mãos. Ministro Zanin, isso aqui não aconteceu nem na Operação Lava Jato. Rogo a Vossa Excelência, não permita que vivemos isso. Eu não tenho como defender uma pessoa dessa forma, ministra Carmen Lúcia. Nós estamos na Suprema Corte do nosso país. Pelo amor de Deus, cadê o laudo do celular dele?”, seguiu Chiquini, referindo-se primeiro a Cristiano Zanin, que se notabilizou por defender Lula nos processos da Lava Jato.

Bronca de Dino

Após a apresentação da defesa, o ministro Flávio Dino, que preside a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que “o tribunal, assim como faz em relação às partes, é destinatário, como dever legal, de respeito”.

“Isto vale para esta tribuna, que não é uma tribuna parlamentar, que não é uma tribuna do tribunal do júri, e vale também para as outras manifestações externas a este plenário. Isso se chama lealdade”, disse Dino, acrescentando que o STF tem sido “extremamente leal” e cobrando “igual tratamento”.

O presidente da Primeira Turma do STF cobrou respeito aos ritos e entre as partes e deixou no ar que dizia tudo isso “sem prejuízo de outras providências em outro momento”.

Kids pretos

A Primeira Turma do STF começou a julgar na terça-feira, 11, mais 10 réus na chamada ação penal do golpe. O “Núcleo 3” é formado por nove militares de alta patente, integrantes do grupo chamado kids pretos, e um agente da Polícia Federal. 

A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que eles formaram o núcleo de ações táticas e coercitivas da organização criminosa e seriam responsáveis “pelas ações mais severas e violentas do grupo”, incluindo um plano para assassinar autoridades.

Estavam na mira dos kids pretos, conforme a denúncia da PGR, o hoje presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin, além de Moraes, relator da ação penal da trama golpista.

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