Master repassou R$ 8,2 milhões a associações de servidores da Bahia
Segundo PF, entidades são ligadas a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro
Duas associações de servidores da Bahia ligadas à origem de carteiras de crédito consideradas irregulares receberam cerca de R$ 8,2 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025, segundo dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado. As informações, publicadas na Folha, constam nas declarações de Imposto de Renda da instituição financeira.
A maior parte dos repasses foi destinada à Associação dos Servidores Técnico-Administrativos e Afins do Estado da Bahia (Asteba), que recebeu R$ 5,95 milhões no período.
Já a Associação dos Servidores da Saúde Afins da Administração Direta do Estado da Bahia (Asseba) recebeu aproximadamente R$ 2,3 milhões.
Em 2025, os pagamentos foram classificados como rendimentos de aplicações financeiras, enquanto nos anos anteriores não há detalhamento sobre a origem dos valores.
Operação Compliance Zero
As duas entidades foram alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo carteiras de crédito consignado.
Segundo a PF, ambas seriam controladas por Augusto Lima (foto), ex-sócio de Daniel Vorcaro, com poderes para movimentar recursos em nome das associações.
O Ministério Público Federal aponta que os valores movimentados pelas entidades não condizem com os descontos registrados em contracheques de servidores.
De acordo com a PF, as associações foram apresentadas ao Banco Central como originadoras dos créditos repassados ao BRB.
Leia mais: O “ótimo” encontro entre Lula e o dono do Master
Quem é Augusto Lima?
Augusto Lima foi sócio de Vorcaro desde 2019 e levou ao Master o CredCresta, operação de crédito consignado que se tornou um dos principais negócios da instituição.
O empresário deixou o banco no ano passado e assumiu o controle do antigo Banco Voiter, rebatizado como Pleno, onde realizou aportes de R$ 160 milhões.
Ele foi preso em novembro durante a Operação Compliance Zero, no mesmo dia da liquidação do Banco Master, sendo solto semanas depois. Lima ainda é alvo de investigações e mantém atuação no setor financeiro, além de conexões políticas na Bahia e em Brasília.
Entrou no setor financeiro em 2018, quando o então governador Rui Costa decidiu privatizar a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)