Lula sabia do risco na indicação de Jorge Messias, diz Randolfe
Líder do governo afirma que cenário adverso já era conhecido e atribui rejeição à antecipação da disputa eleitoral
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que o presidente Lula sabia do risco de derrota na indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal, mas decidiu manter o nome até o fim.
“O presidente tinha consciência do risco. E houve uma decisão consciente de levar a indicação até o fim. Uma decisão correta, na minha avaliação. A indicação ao STF é uma prerrogativa do presidente da República”, disse em entrevista ao jornal O Globo.
Segundo Randolfe, os sinais de dificuldade já eram perceptíveis meses antes da votação.
“Eu disse ao ministro Messias, um mês antes, que, na minha percepção, nós não tínhamos o número. Conversei com o presidente da República, com a ministra Gleisi Hoffmann, com o líder Jaques Wagner e com outros colegas líderes. Faço parte do time que perdeu e assumo a responsabilidade coletiva. Mas a dificuldade foi apontada mais de uma vez”, afirmou o líder do governo.
Randolfe atribuiu a rejeição ao ambiente político e à antecipação da disputa eleitoral no Senado, e não a fatores técnicos.
“O que foi avaliado não foi o currículo, nem o notório saber, nem a reputação do ministro Messias. O que foi considerado foi a antecipação da disputa eleitoral.”
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Rejeição de Messias
Jorge Messias foi rejeitado por oito votos de diferença, com 42 contrários e 34 favoráveis à indicação.
Lula indicou o advogado-geral da União ao STF em novembro do ano passado, na vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
O governo petista demorou quatro meses para enviar a indicação ao Senado. O Executivo aproveitou esse tempo para tentar uma maior aceitação do nome de Messias entre os senadores. Ainda assim, o indicado enfrentou bastante resistência.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), preferia que Lula tivesse indicado o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Como mostramos, nas conversas com senadores na manhã de quarta, Alcolumbre liberou seus aliados a votar contra a indicação de Jorge Messias.
O presidente do Senado se demonstrou incomodado com movimentos protagonizados por Messias e alguns de seus aliados, como o ministro André Mendonça.
O parlamentar se irritou também com o vazamento da informação sobre o encontro secreto tido entre ele e Messias na residência do ministro Cristiano Zanin. Para Alcolumbre, teria sido o próprio Messias o responsável pelo vazamento da informação.
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