Letícia Barros na Crusoé: Antissemitismo e xenofobia
Responsabilizar e penalizar indivíduos por decisões políticas tomadas na esfera estatal é altamente perigoso
A milhares de quilômetros de distância do palco da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel, um bar carioca exibiu uma placa proibindo a entrada de cidadãos israelenses e americanos.
O episódio revela a propagação de uma narrativa profundamente discriminatória por um grupo ideológico que se apresenta como defensor assíduo da tolerância e da dignidade humana.
Há uma percepção muito comum em democracias: a fusão entre população e máquina estatal.
Uma nação passa a ser vista como uma unidade composta pelos eleitores e pelos eleitos.
Logo, decisões tomadas pelo Estado, sejam oriundas de todos os Poderes ou de apenas um, passam a ser interpretadas como decisões de seus próprios cidadãos.
Trata-se de uma visão compreensível em uma conjuntura democrática, já que os eleitos são, em tese, representantes dos eleitores.
Todavia, responsabilizar e penalizar indivíduos por decisões políticas tomadas na esfera estatal é altamente perigoso.
A liberdade de expressão, inclusive o direito de repudiar decisões políticas tomadas por chefes de Estado, é absolutamente digna de defesa e deve ser preservada.
O que o bar fez, por outro lado, foi penalizar e discriminar indivíduos com base em sua nacionalidade e na conjuntura política em que seus países estão inseridos.
Presumiu, sem qualquer critério, que essas pessoas compartilham das mesmas posições que motivam a crítica.
Esse não é um episódio isolado, e só continua acontecendo porque existem defensores desse tipo de tratamento.
A maioria dos comentários nas reportagens que noticiaram o caso é de pessoas elogiando a atitude do bar e se voluntariando para doar e ajudar no pagamento da multa aplicada pelo Procon.
Quando a discriminação passa a ser celebrada, o que está em jogo já não é apenas ideologia e política, mas a própria noção de humanidade.
O que vivenciamos hoje no debate público brasileiro é uma instrumentalização da empatia, usada como ferramenta política para legitimar certas narrativas e relativizar episódios de violência e segregação.
Em outras palavras…
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Comentários (1)
Marian
11.04.2026 11:05Até onde vai a coerência do dono do bar, consome produtos e inovações criados pelos Americanos ou Israelenses? Cervejinha, remédios, computadores, celulares? A lista é grande kkk