“Justiça que tarda é Justiça que falha”, diz TI Brasil sobre Maluf
Segundo a ONG de combate à corrupção, o ex-prefeito de São Paulo continua sendo "símbolo mundial de impunidade"
A Transparência Internacional – Brasil reclamou nesta quarta-feira, 30, do acordo de não persecução civil firmado entre o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e o ex-prefeito Paulo Maluf.
Segundo a ONG de combate à corrupção, quase metade do rombo de 300 milhões de dólares atribuído ao político, ainda não foi recuperada, mantendo o ex-prefeito como “símbolo mundial de impunidade”.
“Justiça que tarda é Justiça que falha. Os processos contra Maluf começaram em 1993, acusado de desviar mais de US$ 300 milhões. Trinta anos depois, quase metade do rombo milionário ainda não foi recuperada e Maluf (que não ficou nem 4 meses preso antes de conseguir prisão domiciliar em sua mansão) continua sendo símbolo mundial de impunidade”, publicou a TI Brasil no X.
O acordo entre a família Maluf e o MP-SP
A família de Paulo Maluf, de 93 anos, firmou na terça, 29, um acordo de não persecução civil com o Ministério Público, no valor de 210 milhões de reais a serem pagos à capital paulista.
O acordo é referente ao caso de desvio de verbas públicas entre 1993 a 1998, no período em que Maluf comandou a cidade.
Ele é acusado de ter desviado cerca de 300 milhões de dólares durante a construção do túnel Ayrton Senna e da avenida Água Espraiada – hoje chamada avenida Jornalista Roberto Marinho – em seu segundo mandato como prefeito.
As negociações começaram no ano passado e envolve quatro filhos do ex-prefeito, uma ex-nora, um ex-genro, uma empresa offshore situada no Uruguai e um banco brasileiro que comprou ações da empresa Eucatex, da família de Maluf.
Condenação no STF
Em 2017, Maluf foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro. Na ocasião, ele alegou falhas processuais que levaram à decisão da Corte.
Segundo os ministros, o ex-prefeito ocultou e dissimulou dinheiro desviado da obra da avenida Água Espraiada, nos anos 1990.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o esquema envolveu transações internacionais para repatriar os recursos ilícitos.
O ministro Edson Fachin, em 2023, declarou extintas as penas privativas de liberdade a Maluf, com base no decreto de indulto de Natal editado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022.
Em fevereiro deste ano, a Justiça de São Paulo determinou a penhora de 19 imóveis de Maluf, em razão de uma dívida com a Prefeitura da capital.
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