Janja mantém plano de desfilar na Sapucaí apesar de veto a ministros
Primeira-dama deve desfilar no último carro alegórico da Acadêmicos de Niterói, cujo samba-enredo exalta Lula
O Palácio do Planalto decidiu vetar a participação de ministros do governo Lula no desfile da Acadêmicos de Niterói, que abrirá o Grupo Especial na Marquês de Sapucaí. A decisão ocorreu apenas depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontar a possibilidade de ilícitos eleitorais relacionados à apresentação.
O samba-enredo da agremiação para este ano é intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A letra homenageia Lula, que é pré-candidato à reeleição.
O presidente acompanhará o desfile do camarote da Prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD) e aliados. Apesar do veto, a primeira-dama, Janja, deverá desfilar no último carro alegórico, sendo a única representante do círculo mais próximo do governo a participar da apresentação.
Na quinta-feira, o plenário do TSE rejeitou por unanimidade ações dos partidos Novo e Missão que pediam a suspensão do desfile.
Os ministros da corte eleitoral entenderam que a proibição configuraria censura, mas ressaltaram indícios de possíveis irregularidades eleitorais. O caso continuará sob análise, com manifestação prevista do Ministério Público Eleitoral.
Na representação protocolada no TSE, o Novo diz que o desfile extrapola os limites de uma homenagem cultural e se configura como peça de propaganda eleitoral antecipada, ao associar a trajetória política de Lula a elementos típicos de campanhas eleitorais.
Já a Advocacia-Geral da União (AGU) emitiu orientações aos integrantes do governo e determinou que eventuais despesas com a viagem sejam custeadas com recursos próprios, sem uso de voos da Força Aérea Brasileira (FAB) ou divulgação do evento em canais institucionais.
Ex-marqueteiro do PT critica desfile
João Santana, responsável por campanhas presidenciais vitoriosas do PT, criticou a decisão de Lula e de Janja de participarem do desfile da Acadêmicos de Niterói.
Em publicação nas redes sociais, Santana alertou para possíveis consequências negativas da iniciativa: “
Antes de tudo, carnaval se presta mais para demolição do que para construção de imagem de político. Acidez crítica, liberação, irreverência são seus principais temperos”, afirmou.
“O destino dos grandes espetáculos é o da catarse coletiva, seja ela de glorificação ou de rebeldia. Só vira um culto individual quando controlados à mão de ferro por autocratas. Do contrário, o tiro sai pela culatra”, acrescentou.
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Comentários (2)
Denise Pereira da Silva
14.02.2026 08:32Torço pela saraivada de vaias no momento da passagem do último carro alegórico com a deslumbrada.
Acho que o tiro já saiu pela culatra. Quero ver a revolta que a Janja vai causar ao aparecer na passarela do samba. Estarei torcendo para esse circo pegar fogo.