Izabela Patriota na Crusoé: Quando a maternidade deixa de ser acidente
Mulheres com mais de 40 anos que decidem ter filhos normalmente já alcançaram estabilidade financeira e têm relacionamento estável
Perto do Dia das Mães, um dado histórico chamou atenção nos Estados Unidos. Pela primeira vez, mulheres acima dos 40 anos estão tendo mais filhos do que adolescentes.
Os números foram divulgados pelo National Center for Health Statistics, órgão ligado ao CDC, e ajudam a mostrar uma transformação silenciosa na vida feminina nas últimas décadas.
Durante muito tempo, a gravidez precoce foi tratada quase como um destino inevitável para as mulheres.
Existia também um forte tabu contra a maternidade tardia. A ideia dominante era a de que havia um “tempo certo” para ter filhos e que ultrapassá-lo seria quase uma falha pessoal, além de um risco biológico inevitável.
Não faz tantas gerações assim que nossas avós ou bisavós engravidaram pela primeira vez aos 13 ou 14 anos. Em muitos lugares, isso era visto como normal.
A maternidade vinha antes da estabilidade financeira, antes da formação acadêmica e, muitas vezes, antes até da escolha consciente de um parceiro.
A queda da gravidez na adolescência e o aumento da maternidade tardia revelam como as mulheres passaram a ter mais controle sobre o próprio tempo de vida.
O que, em uma primeira análise, pode parecer rejeição à maternidade demonstra justamente o contrário. Quando podem escolher, muitas mulheres continuam querendo filhos, mas agora em condições diferentes.
Existe um conceito interessante na economia chamado custo de oportunidade. Em termos simples, significa aquilo que se deixa de viver ao escolher um caminho. Quando uma adolescente engravida, o custo costuma ser enorme. Estudos interrompidos, dependência financeira e redução drástica das possibilidades profissionais.
Já uma mulher de 40 anos frequentemente chega à maternidade depois de consolidar carreira, renda e relacionamentos mais estáveis.
Algumas gerações atrás, essa mesma mulher seria vista como “atrasada”. Durante anos, a medicina utilizou o termo “gravidez geriátrica” para gestações acima dos 35 anos.
Hoje, embora os riscos biológicos continuem existindo e exijam acompanhamento médico, o avanço da medicina e das condições de vida mudou radicalmente essa percepção.
Os dados também sugerem algo importante sobre os filhos. Um estudo publicado no International Journal of Epidemiology em 2017, chamado “The Reversing Association Between Advanced Maternal Age and Children’s Cognitive Ability”, mostrou que filhos de mães entre 35 e 39 anos passaram a apresentar alguns dos melhores resultados cognitivos nas gerações mais recentes.
Os autores apontam que isso parece estar ligado ao fato de essas mães serem mais escolarizadas, financeiramente estáveis e viverem em ambientes familiares mais estruturados.
Outro trabalho…
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