Izabela Patriota na Crusoé: A hipocrisia sobre o aborto no Brasil
O deputado estadual paulista Guto Zacarias foi eleito sob uma plataforma pró-vida, mas a vida testou sua ética
Em 9 de abril, The Economist publicou uma reportagem afirmando que há pouco espaço para a legalização do aborto no Brasil, destacando que, apesar das exceções legais, o acesso continua restrito e profundamente desigual na prática.
O também recente caso do deputado estadual paulista Guto Zacarias (Missão, foto) ajuda a explicar o porquê. Ele expôs aquilo que a sociedade brasileira já sabe, mas finge ignorar: quem quer abortar no Brasil consegue.
Ao enfrentar a gravidez da então namorada, Guto avaliou as opções e a incentivou a interromper a gestação. Isso, por si só, não deveria ser controverso. Trata-se de um casal discutindo o próprio futuro. Ao mesmo tempo, também pode revelar a falha na escolha de um parceiro que, diante de um momento de vulnerabilidade, opta pelo abandono.
O caso, porém, vai além de um debate privado entre um casal. Há denúncias de violência psicológica. Segundo boletim de ocorrência, a vítima relatou pressão constante, medo e abalo emocional durante a gestação. Não por acaso, não estão mais juntos. O ponto central, no entanto, é outro: a contradição do deputado.
Guto foi eleito sob uma plataforma pró-vida, defendendo não apenas a reprovação moral do aborto, mas também a manutenção de punições penais para mulheres que o realizam. Aliás, seu grupo político vai além e já sinalizou disposição para restringir até mesmo os casos hoje permitidos pela legislação, como em situações de estupro envolvendo crianças e adolescentes.
A vida, no entanto, testou sua ética. No áudio em que tenta convencer a ex-namorada, o próprio deputado admite recorrer a exageros e…
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