Investigado por elo com PCC atuou em transação envolvendo família Toffoli
Silvano Gersztel, executivo da Reag, representou fundo da gestora na compra de parte da participação de irmãos do ministro no resort Tayayá
Um executivo da Reag Investimentos atuou na compra de parte da participação dos irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no resort Tayayá, diz o Estadão. Silvano Gersztel, que representou um fundo da gestora na transação, é investigado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a empresários do setor de combustíveis associados ao PCC.
Gersztel foi sócio e executivo da Reag por nove anos e deixou os cargos de diretor-presidente e financeiro no início de janeiro, em meio a uma reestruturação após a aquisição da empresa pela Planner.
Ele era considerado o número dois da gestora durante o período em que a Reag chegou a administrar mais de R$ 340 bilhões e também foi alvo de investigações da Polícia Federal.
Os fundos de investimento Leal e Arleen, administrados pela Reag, foram usados para investir R$ 20 milhões no resort.
O fundo Arleen tornou-se sócio das empresas da família do ministro e, em setembro de 2021, comprou metade da participação avaliada em R$ 6,6 milhões pertencente aos irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli.
Gersztel aparece em documentos da Junta Comercial do Paraná como representante do fundo na sociedade.
A parceria entre o fundo e os familiares de Toffoli se manteve até 2025.
Entre fevereiro e julho, os irmãos e um primo do ministro, assim como o fundo, deixaram a sociedade para vender suas participações ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que passou a ser o único dono do empreendimento.
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Operação Carbono Oculto
Gersztel também foi alvo de buscas e apreensões na Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025.
A investigação apura o uso de fundos da Reag para lavar dinheiro de controladores das distribuidoras de combustíveis Copape e Aster, suspeitos de ligação com o PCC.
A gestora nega relação com atividades ilícitas da facção.
Segundo as apurações, os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Huissein Murad, ambos foragidos, teriam usado fundos da Reag para adquirir usinas, postos de gasolina e imóveis de alto valor.
O Ministério Público afirma que a “aquisição das usinas sucroalcooleiras foi instrumentalizada com fundos de investimento” e que executivos da Reag, como Gersztel, “atuam em consonância com as dinâmicas fraudulentas da organização criminosa”.
Tayayá
Como revelou O Antagonista, em setembro de 2021, José Carlos e José Eugênio, irmãos de Toffoli, eram sócios do Tayayá Aqua Resort.
A ligação do Arleen Fundo de Investimentos com o caso Master ocorre por meio de uma cadeia de fundos.
O Arleen foi cotista do RWM Plus, que também recebeu recursos de fundos ligados ao Maia 95, apontado pelo Banco Central como parte da suposta teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O Arleen não é alvo direto da investigação.
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