Instituto para autistas suspende atendimento por falta de repasse da Prefeitura de SP
Entidade da zona sul, que atende 52 famílias gratuitamente, paralisou atividades em março de 2026, após atraso no envio de R$ 500 mil
O Instituto Gabi, organização que oferece terapias e apoio a pessoas com deficiência e autismo na zona sul de São Paulo, interrompeu suas atividades após meses à espera de um repasse de R$ 500 mil destinado pela deputada federal Luiza Erundina (PSOL). O valor está sob análise na Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.
A entidade atende 52 famílias de forma gratuita, com um time de 14 profissionais que oferecem terapias individualizadas, reforço escolar, oficinas de convivência e orientação jurídica. Sem os recursos, a direção convocou uma reunião com as famílias atendidas e anunciou a paralisação temporária dos serviços.
Meses de espera e promessas sem cumprimento
O cofundador do instituto, Francisco Sogari, afirma que, já em dezembro de 2025, recebeu a informação de que os recursos seriam liberados em janeiro de 2026. Diante do silêncio, a equipe passou a cobrar a Secretaria em fevereiro, quando teria recebido uma nova promessa – de que o valor estaria disponível em março.
“Nós tivemos que pagar os salários de janeiro, de fevereiro, entramos no mês de março e não temos dinheiro para pagar o salário. A partir da imprecisão da informação, nós fizemos uma reunião com as famílias e informamos que vamos ter que paralisar o atendimento”, declarou Sogari.
A Secretaria, por sua vez, nega atraso. Em nota, a pasta afirma que o repasse passou por análise técnica, que a reserva dos recursos foi autorizada e que o processo está em fase final de processamento. A Secretaria acrescenta que o montante não tem como finalidade o custeio permanente da entidade, mas um aporte complementar.
Sogari contesta essa interpretação. “O nosso plano de trabalho aprovado pela Secretaria é muito claro. Tem todos os elementos que comprovam que é o custeio total da operação”, disse.
Protesto e prazo de sete dias
Na quarta-feira, 4, cerca de 18 pessoas atendidas pelo instituto e seus familiares se reuniram em frente à sede da Prefeitura de São Paulo para exigir uma data concreta para o repasse.
Na quinta-feira, 5, a deputada Erundina informou que, após horas tentando contato com a Prefeitura, obteve a confirmação de que o valor chegou à Secretaria em janeiro, mas que faltava um parecer técnico financeiro – elaborado pela própria gestão municipal. Segundo ela, foi dado um prazo de sete dias para a liberação do recurso.
“Não dá para entender a morosidade nesse caso”, declarou a parlamentar, que diz destinar verbas ao instituto há anos.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)