Guerra no Irã derruba agenda de Lula em Washington
Conflito obriga governo brasileiro a suspender visita prevista para março; nova data, possivelmente em abril, ainda não foi definida
A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, planejada para a segunda quinzena de março de 2026, foi cancelada em razão da escalada militar no Oriente Médio. A informação foi confirmada pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que acompanharia o chefe de Estado na missão diplomática a Washington.
O encontro com o presidente norte-americano Donald Trump tinha como tema central as negociações em torno das tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros, um dos principais pontos de atrito na relação bilateral.
Segundo Fávaro, Lula o convidou pessoalmente para integrar a comitiva: “O presidente me pediu para que acompanhasse essa viagem, que deveria ser na segunda quinzena de março, mas em função da guerra essa agenda foi suspensa”.
Conflito reorienta diplomacia brasileira
O cancelamento da viagem foi anunciado nos bastidores do lançamento do programa Acredita Sebrae, em Cuiabá (MT), no início de março. Fávaro confirmou a suspensão ao ser questionado sobre o prazo para deixar o ministério – ele precisa sair do cargo até 4 de abril para concorrer à reeleição ao Senado por Mato Grosso.
O ministro afirmou aguardar uma nova sinalização de Lula para definir quando deixará o posto: “Eu estou aguardando a decisão do presidente Lula, que tinha me pedido para fazer mais uma viagem internacional com ele, aos Estados Unidos. Porém, já não terá viagem internacional. É aguardar o tempo do presidente Lula para descompatibilizar”.
Abril surge como alternativa
De acordo com o Estadão, integrantes do governo Lula passaram a admitir, em conversas reservadas, que a reunião com Trump pode ser transferida para abril. A avaliação interna leva em conta a imprevisibilidade do conflito no Oriente Médio e o impacto que ele gera sobre as agendas diplomáticas internacionais.
A viagem a Washington não se limitava à questão tarifária. Auxiliares do presidente apontam que havia outros temas de interesse mútuo a serem tratados com o governo norte-americano, o que torna o adiamento um revés para a agenda de política externa brasileira neste momento.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Marian
06.03.2026 23:23Foi a escalada militar?