Glauber Braga ocupa Mesa Diretora da Câmara
Ato foi feito em protesto contra processo de cassação; parlamentar do Psol foi retirado à força da Mesa pela Polícia Legislativa
O deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) ocupou a Mesa Diretora da Câmara, nesta terça-feira, 9. O parlamentar se recusou a deixar a cadeira do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em protesto contra a votação, no plenário, da recomendação do Conselho de Ética para que ele tenha o seu mandato cassado.
Após o início da ocupação, num primeiro momento, a Polícia Legislativa retirou do plenário todos que não eram parlamentares, incluindo profissionais da imprensa. Depois, Glauber foi retirado à força da cadeira.
Após a ocupação começar, a TV Câmara parou de transmitir imagens do plenário, dificultando a todos que estavam do lado de fora de saber o que ocorria no interior.
O ato do deputado ocorreu no mesmo dia em que Motta anunciou que o plenário votará a recomendação do Conselho de Ética na quarta, 10, ou quinta-feira, 11. A ocupação atrasou também o início da ordem do dia e, consequentemente, da votação do projeto de lei que reduz penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
O Conselho aprovou, por 13 votos a 5, o parecer de Paulo Magalhães (PSD-BA) favorável à punição a Glauber. Na análise de representação do Novo contra o congressista, o relator votou pela aplicação da pena de perda do mandato, por quebra do decoro parlamentar, devido ao fato de o deputado do Psol ter agredido fisicamente o militante do MBL Gabriel Costenaro.
Em coletiva de imprensa após ser retirado da Mesa Diretora, Glauber disse que a votação da sua cassação “com uma inelegibilidade de oito anos não é um fato isolado”. Segundo ele, “nesse mesmo pacote eles querem votar uma anistia que não é dosimetria, levando à possibilidade de que Jair Bolsonaro só tenha dois anos de pena”.
“Combinado com isso, eles querem manter os direitos políticos de Eduardo Bolsonaro, porque quando há um desligamento por faltas, a pessoa continua elegível. E isso não é uma novidade para a Câmara. Eles utilizaram do mesmo expediente no caso do Chiquinho Brazão, acusado de ser o mandante do assassinato de Marielle [Franco]”.
Glauber ainda criticou Hugo Motta pela atuação da Polícia Legislativa para retirá-lo da cadeira.
“Amanhã eles botam a tentativa de cassação no plenário da Câmara. E a que preço, Hugo Motta? Precisava disso aqui? Precisava atacar as deputadas? Precisava de uma ação violenta e forçada? O senhor que sempre quis demonstrar como se fosse um ponto de equilíbrio entre forças diferentes, isso é uma mentira”, pontuou.
“Isso é uma mentira porque com os golpistas que ocuparam a Mesa, sobrou docilidade. Agora com quem não entra no jogo deles, é porrada. Os caras ficaram 48 horas, eu fiquei algumas poucas horas, e já foi suficiente para esse tipo de ação”.
Após a coletiva, Glauber seguiu para o departamento médico da Câmara para fazer exame de corpo de delito.
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Comentários (1)
Fabio B
09.12.2025 18:57Mas esse bost4 não estava para ser cassado?