FMI recomenda ajuste fiscal “urgente” ao Brasil
Ministério da Fazenda atribui divergência a diferenças metodológicas; governo reafirma compromisso com estabilização fiscal
A dívida pública do Brasil alcançará 100% do PIB em 2027, dois anos antes do previsto para a média global, segundo projeção divulgada nesta quarta-feira, 15, pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).
A estimativa consta do Monitor Fiscal e representa cenário mais desfavorável que o apresentado em outubro de 2025, quando se esperava que o país atingisse 98% até 2030.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que diferenças metodológicas explicam parte das divergências entre os números do fundo e os cálculos do governo.
Deterioração das contas públicas
O FMI apontou pressão crescente nas finanças públicas causada por expansão de gastos e elevação dos custos com juros, quadro agravado pelos conflitos no Oriente Médio. O fundo classificou como “urgente” um ajuste fiscal “crível e bem planejado” em todas as nações.
O déficit primário também apresentou piora. A projeção de outubro indicava 0,4% do PIB para 2025; agora o cálculo subiu para 0,5%, acima da meta fiscal do governo de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo. O déficit nominal deve expandir de 6,2% em 2024 para 8,1% em 2025.
Em comparação internacional, o Brasil se destaca negativamente. Enquanto a média global foi fixada em 97% para 2027, países como México projetam dívida em 63% do PIB.
Questão metodológica e defesa do governo
Durigan disse que “o FMI inclui esse montante de títulos na conta da dívida pública. De fato, isso não deveria ser considerado, do nosso ponto de vista”.
O governo reafirmou sua determinação de estabilizar a trajetória da dívida e reduzi-la no médio e longo prazo. Durigan apontou medidas como redução de despesas, eliminação de benefícios indevidos e maior eficiência estatal como instrumentos para dar resiliência à economia brasileira.
Crescimento revisto, mas preocupações persistem
Em movimento contrário, o FMI elevou a projeção de crescimento econômico para 2026 de 1,6% para 1,9%, reconhecimento que levou a diretora-geral Kristalina Georgieva a destacar nas redes sociais que o Brasil está “relativamente bem posicionado para enfrentar a turbulência global”.
O FMI recomendou que países evitem subsídios generalizados, priorizando transferências diretas de renda. Durigan defendeu as medidas brasileiras de baratear combustível como temporárias, limitadas e sujeitas a reavaliação, argumentando que diferem de subsídios “amplos e indiscriminados”.
Programa de endividamento em gestação
O governo estuda programa para reduzir o endividamento das famílias, a ser anunciado em breve. Durigan afirmou que a medida será “boa para as famílias do Brasil, medida boa para o mercado” e incluirá “contrapartidas estruturais como, por exemplo, restrições de uso de bets, apostas online”, que contribuirão para ganhos estruturais do país.
O ministro não detalhou o cronograma de lançamento, mas sinalizou que o programa será apresentado após seu retorno do Brasil, onde segue para agenda na Europa acompanhando o presidente Lula.
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Comentários (1)
Marian
15.04.2026 22:05É o resultado da gastança . A conta chega ano que vem. Que infelicidade a nossa.