“Fatos estão sob análise do Poder Judiciário”, diz Celina sobre caso do BRB
Governadora do DF afirma que apuração cabe à Justiça e diz que o Governo tem colaborado com as autoridades
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta quinta-feira, 16, que os fatos envolvendo o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, estão sob análise do Poder Judiciário e que cabe à Justiça conduzir a apuração do caso.
A declaração foi dada após a repercussão da quarta fase da Operação Compliance que atingiu a ex-cúpula da instituição financeira. Segundo Celina, o governo local tem atuado dentro dos limites institucionais e com colaboração junto às autoridades responsáveis pelas investigações. “Os fatos estão sob análise do Poder Judiciário, a quem compete a devida apuração e julgamento”, afirmou.
A governadora também ressaltou que a atual gestão mantém compromisso com princípios de transparência e legalidade. “A atual gestão do Governo do Distrito Federal reafirma seu compromisso inegociável com a transparência, a legalidade e o respeito às instituições”, disse.
Sem entrar no mérito das investigações, Celina afirmou que medidas administrativas foram adotadas desde o início do governo. “Desde o primeiro momento, todas as providências cabíveis foram adotadas, com total colaboração junto às autoridades competentes”, declarou.
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Em agenda pública, a governadora também voltou a comentar o caso e citou a atuação da Polícia Federal. Segundo ela, a investigação avançou ao identificar elementos concretos. “A Polícia Federal chega à materialidade dos fatos. Não tive acesso ao inquérito, mas confio que a Justiça vai fazer seu trabalho”, afirmou.
Ao comentar a gestão de Paulo Henrique Costa à frente do BRB, a governadora afirmou que já havia decidido pela substituição do comando do banco. “Eu tinha muitas críticas ao Paulo. Eu já falava que iria trocá-lo do meu governo, que ele não ficaria. Achava a gestão dele muito longe da necessidade da população do Distrito Federal”, afirmou.
Ao final, Celina reiterou que o governo seguirá acompanhando o caso. “Seguiremos atuando com responsabilidade, rigor e absoluta clareza, garantindo que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos”, concluiu.
Entenda
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, 16, o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB). Ele é um dos alvos da quarta fase da Operação Compliance Zero. À frente do BRB de 2019 a 2025, Paulo Henrique Costa é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o Banco Master.
O banco público pagou 12,2 bilhões de reais por carteiras sem lastro em operações reais do banco de Daniel Vorcaro. O executivo foi afastado do banco em novembro do ano passado, após a primeira fase da operação. Nesta nova fase da operação, a PF cumpre dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão, em São Paulo e no Distrito Federal.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que embasou a operação aponta que o então presidente do Banco de Brasília (BRB) manteve e acelerou operações sob suspeita mesmo após alertas internos sobre inconsistências nas carteiras negociadas.
“Sob a primeira perspectiva, a representação indica que Paulo Henrique Costa, ciente de inconsistências relevantes nas carteiras ofertadas ao BRB desde o final de 2024, teria chancelado a continuidade e a aceleração das operações“, aponta a decisão.
Ao longo da decisão, Mendonça afasta a tese de erro de gestão e sustenta que os elementos reunidos apontam para algo mais grave. “Não se cuida de erro isolado ou de deficiência de governança”, afirma o ministro.
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