Ex-chefe do BC recebeu R$ 3 milhões do Banco Master
João André Calvino Marcos Pereira comandou a área de regulação do Banco Central entre 2018 e 2023
Ex-chefe do departamento de regulação do Banco Central, João André Calvino Marcos Pereira recebeu R$ 3 milhões do Banco Master por meio de sua empresa de consultoria, a JGM Solution.
A informação consta em dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado e declarados pelo próprio banco no Imposto de Renda de 2025.
Calvino comandou a área de regulação do Banco Central entre 2018 e 2023 e deixou o órgão em junho de 2025, após período de licença.
Durante sua gestão, foi aprovada a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, operação que deu origem à atual estrutura do Banco Master.
A JGM Solution, criada em janeiro de 2024 e registrada em Taguatinga (DF), tem como sócia a esposa do ex-servidor.
Em nota, Calvino afirmou que os serviços prestados ao Banco Master ocorreram após sua saída do Banco Central.
“O serviço prestado ao Banco Master ocorreu em data posterior à exoneração de João André Marques Pereira, quando não possuía mais vínculo algum com o Banco Central. Tal serviço foi realizado nos termos do contrato firmado entre a JGM e aquela instituição, com todos os pagamentos devidamente declarados à Receita Federal e com comprovação de serviço prestado. Os pagamentos ocorreram a partir de agosto de 2025, também depois da exoneração.”
R$ 41,7 milhões a políticos e ex-autoridades
O Banco Master declarou ao menos R$ 41,7 milhões em pagamentos, em 2025, a escritórios ligados a figuras políticas, como o ex-presidente Michel Temer, ex-ministros e dirigentes partidários.
Esses valores também constam na declaração de Imposto de Renda da instituição.
O escritório de Michel Temer, por exemplo, recebeu R$ 10 milhões por serviços relacionados à tentativa de venda do banco ao BRB.
Já o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega recebeu R$ 8 milhões por consultoria. No período, ele atuou na aproximação de Vorcaro com o governo federal, intermediando, inclusive, uma reunião com Lula no Palácio do Planalto, no fim de 2024.
Leia também: A boquinha de Guido Mantega no Banco Master
O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles também recebeu R$ 8 milhões, enquanto o ex-ministro Ricardo Lewandowski teve R$ 2,3 milhões pagos ao seu escritório, posteriormente assumido por seu filho.
Outros repasses incluem R$ 3,8 milhões ao ex-chefe da Secom Fabio Wajngarten e R$ 1 milhão ao presidente do União Brasil, Antonio Rueda. Os envolvidos dizem que as atividades foram legais, contratadas regularmente e devidamente declaradas.
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