Defesa de Vorcaro pede ao Supremo investigação sobre vazamento de mensagens
Advogados dizem que nem mesmo a defesa teve acesso ao material que tem sido publicado pela imprensa e querem explicações da PF
A defesa do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, informou nesta sexta-feira, 6, que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar os vazamentos de informações sigilosas extraídas dos celulares dele apreendidos – incluindo conversas íntimas e “supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes”.
Segundo os advogados do banqueiro, as conversas estão sendo divulgadas para meios de comunicação, “talvez editadas e tiradas de contexto”. Eles dizem ainda que nem mesmo a defesa teve acesso ao material que tem sido publicado pela imprensa.
Os advogados querem um inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a Polícia Federal (PF) apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos.
O objetivo, pontuam, não é investigar os jornalistas que receberam as informações, mas apurar a responsabilidade de quem tinha o dever legal de custodiar o material, que permanece sob sigilo judicial.
Segundo o jornal O Globo, Vorcaro enviou uma mensagem de texto ao ministro Alexandre de Moraes na manhã de 17 de novembro do ano passado, quando foi preso pela Polícia Federal.
“Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, diz o texto enviado pelo banqueiro.
Segundo a reportagem, Moraes teria respondido logo em seguida. As três mensagens, contudo, foram enviadas com visualização única, o que impossibilita que seja armazenada.
O registro da troca de mensagens foi encontrado pela PF no celular pessoal de Vorcaro.
Em 17 de novembro, Vorcaro foi preso no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jato particular para Dubai.
Outro registro também foi identificado pela PF na data de 1º de outubro de 2025, mas o conteúdo não pôde ser visualizado, pois a mensagem havia sido apagada.
Moraes nega
Moraes negou ter recebido as mensagens citadas por O Globo.
“O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”, diz a nota.
Confira a íntegra da nota da defesa de Vorcaro:
A defesa de Daniel Vorcaro informa que solicitou ao Supremo Tribunal Federal a instauração de investigação para apurar a origem dos sucessivos vazamentos de informações sigilosas provenientes dos telefones celulares apreendidos no curso da investigação.
O espelhamento dos dados dos aparelhos apreendidos foi entregue à defesa apenas no dia 3 de março de 2026 e o HD foi imediatamente lacrado na presença da autoridade policial, dos advogados e de tabelião, para preservar o sigilo das informações.
Apesar disso, diversas mensagens supostamente extraídas desses aparelhos passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, mesmo sem que a própria defesa tenha tido acesso ao conteúdo do material. Conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes, talvez editadas e tiradas de contexto, têm sido divulgadas para os mais diversos órgãos de comunicação.
Diante da gravidade da situação, a defesa requereu que seja instaurado inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos.
A defesa ressalta que o objetivo do pedido não é investigar jornalistas ou terceiros que eventualmente tenham recebido informações, mas apurar quem, tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso, pode ter violado esse dever.
Espera-se que as autoridades que violaram seu dever funcional de resguardar o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas por atos que expõe pessoas sem relação com a investigação, bem como atrapalham os trabalhos de esclarecimento dos fatos.
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