Crusoé: Um petista em defesa da blindagem de Gilmar aos ministros do STF

24.01.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

Crusoé: Um petista em defesa da blindagem de Gilmar aos ministros do STF

avatar
Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 04.12.2025 15:44 comentários
Brasil

Crusoé: Um petista em defesa da blindagem de Gilmar aos ministros do STF

Para Lindbergh Farias, a decisão do decano "não constitui autoproteção corporativa, mas restauração dos limites constitucionais"

avatar
Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 04.12.2025 15:44 comentários 2
Crusoé: Um petista em defesa da blindagem de Gilmar aos ministros do STF
Foto: Gabriel Paiva/PT na Câmara

O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ, foto), fez nesta quinta-feira, 4, uma longa defesa da decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que limita à Procuradoria-Geral da República (PGR) os pedidos de impeachment de ministros da Corte e blinda os magistrados.

Para o petista, o risco está em permitir que o Parlamento, Poder do qual faz parte, passe a “subordinar o controle de constitucionalidade, transformando-se em um superpoder”.

Lindbergh disse ainda que a decisão foi proferida no momento em que “setores da extrema-direita buscam subverter a arquitetura constitucional de 1988” e esvaziar “as garantias de nomeação presidencial, sabatina pelo Senado e vitaliciedade”, numa tentativa de “remodelar a estrutura de freios e contrapesos” para enfraquecer o STF.

Citando a obra ‘Jurisdição Constitucional: da Liberdade Para a Liberdade’, escrita pelo próprio Gilmar Mendes, Lindbergh afirmou que a decisão do decano “não constitui autoproteção corporativa, mas restauração dos limites constitucionais” para impedir que “maiorias conjunturais submetam a jurisdição constitucional a pressões políticas passageiras”.

Leia a íntegra da defesa de Lindbergh Farias à decisão de Gilmar Mendes:

“Constituição, democracia e jurisdição:

Em defesa da decisão do ministro Gilmar Mendes.

A decisão cautelar proferida pelo Ministro Gilmar Mendes na ADPF 1.259 parte de uma tese nuclear para a integridade do regime democrático: o impeachment não pode ser convertido em instrumento de intimidação, retaliação ou coerção política contra o Poder Judiciário, sobretudo quando direcionado ao conteúdo de decisões jurisdicionais legítimas. No Brasil, o risco está em permitir que o Parlamento, que já legisla e executa valores exorbitantes do orçamento por meio de emendas impositivas, também passe a subordinar o controle de constitucionalidade, transformando-se em um superpoder. O voto sustenta que a independência judicial é condição de existência do Estado Democrático de Direito, que é cláusula pétrea, e que não cabe às maiorias parlamentares manipular mecanismos excepcionais para intervir no núcleo da jurisdição constitucional. A decisão surge justamente quando setores da extrema-direita buscam subverter a arquitetura constitucional de 1988, esvaziando as garantias de nomeação presidencial, sabatina pelo Senado e vitaliciedade, e tentando remodelar a estrutura de freios e contrapesos para enfraquecer o Supremo Tribunal Federal. Essa ofensiva, que começou com agressões verbais e institucionais, ganhou dimensão internacional recente, com pressões como a revogação de vistos, a indevida aplicação da Lei Magnitsky e a imposição de sanções extraterritoriais contra autoridades brasileiras, em tentativas explícitas de interferir na soberania jurídica do país.

A decisão dialoga diretamente com o debate teórico sobre erosão da jurisdição constitucional, tema examinado de maneira abrangente na obra ‘Jurisdição Constitucional: da Liberdade Para a Liberdade’, de Gilmar Mendes. Ali se demonstra que a captura de tribunais raramente ocorre por golpes abruptos; ao contrário, ela se desenvolve por meio de práticas procedimentais, manipulação de quóruns, reformas pontuais e pressões políticas que, sob aparência de legalidade, corroem silenciosamente a independência judicial. No Brasil, mecanismos como admissibilidade de denúncias por maioria simples, afastamento de ministros por divergência político-ideológica e expansão abusiva das hipóteses de crime de responsabilidade constituíam vetores dessa corrosão institucional. A ADPF 1.259, portanto, não constitui autoproteção corporativa, mas restauração dos limites constitucionais para impedir que maiorias conjunturais submetam a jurisdição constitucional a pressões políticas passageiras.

Esse alerta encontra ressonância na própria trajetória brasileira

Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Irmãos de Toffoli também foram sócios do ‘Tayayá Porto Rico’

Visualizar notícia
2

Moraes determina remoção de acampamentos próximos à Papuda

Visualizar notícia
3

“Fico toda noite indignado”, diz Lula sobre captura de Maduro

Visualizar notícia
4

Fachin entra em ação para blindar Toffoli

Visualizar notícia
5

Crusoé: Os “conselhos éticos” de Fachin a uma jovem juíza

Visualizar notícia
6

Leonardo Barreto na Crusoé: Aumenta tensão na direita

Visualizar notícia
7

Fachin e Master: de onde menos se espera, daí é que não sai nada

Visualizar notícia
8

“Quem ama o país, sabe que a candidatura é uma indecência”, diz Janaina sobre Flávio

Visualizar notícia
9

Bruno Soller na Crusoé: Erro tático em Portugal

Visualizar notícia
10

PRF notifica gabinete de Nikolas sobre riscos em caminhada na BR-040

Visualizar notícia
1

"Quem ama o país, sabe que a candidatura é uma indecência", diz Janaina sobre Flávio

Visualizar notícia
2

Apoio da direita a Flávio não está fechado, diz presidente do Republicanos

Visualizar notícia
3

Moraes determina remoção de acampamentos próximos à Papuda

Visualizar notícia
4

"Fico toda noite indignado", diz Lula sobre captura de Maduro

Visualizar notícia
5

Brasil se abstém em votação na ONU sobre repressão a protestos no Irã

Visualizar notícia
6

À PF, Vorcaro evita nomear políticos que frequentavam sua residência

Visualizar notícia
7

Irmãos de Toffoli também foram sócios do 'Tayayá Porto Rico'

Visualizar notícia
8

“A humanidade funciona melhor em liberdade", diz Gloria Álvarez

Visualizar notícia
9

Trump quer criar ‘nova ONU’ sob controle dos EUA, diz Lula

Visualizar notícia
10

Brasileiro é condenado à prisão perpétua na Irlanda por assassinato de ex-namorada

Visualizar notícia
1

TJ-MA determina intervenção em município após desvio de R$ 56 milhões

Visualizar notícia
2

5 ajustes essenciais para treinar com segurança no verão

Visualizar notícia
3

Caminhada de Nikolas leva governo Lula a cercar Planalto

Visualizar notícia
4

Trump ameaça impor tarifa de 100% ao Canadá

Visualizar notícia
5

Almoço de sábado: 7 receitas rápidas e deliciosas com peixe

Visualizar notícia
6

Clarita Maia na Crusoé: O eixo Irã-Hezbollah na América Latina

Visualizar notícia
7

Rússia bombardeia Ucrânia e deixa milhões sem energia

Visualizar notícia
8

13 curiosidades sobre a cidade de São Paulo

Visualizar notícia
9

Casa de Toffoli em resort de luxo custa R$ 750 mil por cota

Visualizar notícia
10

Brasileiro é condenado à prisão perpétua na Irlanda por assassinato de ex-namorada

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Lindbergh Farias
< Notícia Anterior

Homem morre em academia após ser atingido por barra de supino

04.12.2025 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Churrasqueira elétrica vale a pena e quando ela é a melhor escolha para sua casa

04.12.2025 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Redação O Antagonista

Suas redes

Instagram

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (2)

Ariadne

04.12.2025 16:25

E pensar q um dia, quando jovem (1992), foi um cara pintada, líder estudantil e representou a esperança de um Brasil melhor...


ROGERIO BANDEIRA DE GOUVEA MACHADO

04.12.2025 16:20

Se Deus quiser esse cara não se reelege. Quase não entrou na outra.


Torne-se um assinante para comentar

Icone casa

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.