Crusoé: Um candidato fora da caixinha
Aldo Rebelo bagunça as ideologias ao entrar na disputa para a Presidência com agenda nacionalista
Há uma chance razoável de que as eleições deste ano sejam uma repeteco das de 2018 e 2022, com a mesma polarização entre Lula e Bolsonaro e um debate pobre em ideias (leia o artigo Aumenta tensão na direita, de Leonardo Barreto nesta edição de Crusoé).
Mas, aqui e acolá, têm aparecido alguns sinais promissores que podem, pelo menos, tornar o pleito mais interessante.
Renan Santos e o partido Missão, criado pelo MBL, prometem uma direita menos fisiológica e mais jovem.
Na virada do ano, Aldo Rebelo, do partido Democracia Cristã, anunciou sua intenção de concorrer à Presidência.
Membro histórico do comunista PCdoB e ex-ministro de Lula e Dilma, Aldo pode conquistar votos do centro e da direita se for adiante com sua candidatura, que deve ser oficializada no próximo dia 31.
E, o que é mais impressionante, sem fazer concessões em seus princípios.
“Eu confesso que há muito tempo penso mais ou menos como penso hoje. Eu sempre fui nacionalista. Sempre defendi o Brasil. Sempre achei o verde e amarelo uma combinação muito bonita. Sempre gostei do hino brasileiro. Agora, sempre defendi a democracia. Fiz campanhas pela democracia na época dos governos militares. Defendi a anistia, a Constituinte, a liberdade de imprensa“, afirmou Aldo Rebelo em entrevista ao Papo Antagonista.
Contra os dogmas da esquerda
Em seu nacionalismo, Aldo contraria frontalmente vários dogmas da esquerda atual.
“A esquerda, com honrosas exceções, abraçou outra agenda: a agenda dos costumes, a agenda de comportamento, a agenda da globalização. É essa agenda do Partido Democrata americano, das ONGs europeias. Com essa agenda eu não tenho nenhum tipo de relação“, afirmou Rebelo no Papo.
Em vez de dar apoio total aos indígenas, ele critica a demarcação de terras, dizendo que essas políticas não ajudam a desenvolver a economia, o que poderia beneficiar os indígenas.
Aldo repudia o identitarismo, que mantém um discurso vitimista…
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Comentários (2)
Edilson
23.01.2026 16:02Veja aí. Alguém que fala de algo que não está no lero-lero dos últimos anos.
Clayton de Souza Pontes
23.01.2026 11:41Gosto muito das opiniões do Aldo. Faria bem ao Brasil