Crusoé: Populismo sem-vergonha
Lula antecipa a campanha presidencial com uma série de medidas eleitoreiras para tentar melhorar popularidade
Não é novidade que o Palácio do Planalto decidiu acionar o modo campanha. Isso ocorreu no início de 2025, após o fracasso do anúncio de ajuste fiscal de Fernando Haddad. Mas, a menos de cinco meses da eleição presidencial, o governo Lula resolveu escancarar de vez que mais uma vez fará o diabo, como dizia Dilma Rousseff, na tentativa de reeleger o petista neste ano.
Em apenas três dias, o governo criou um dia em memória das vítimas da Covid — para desgastar Jair Bolsonaro e família, representada nesta eleição pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) —, anunciou um programa cosmético de combate ao crime organizado, suspendeu a famigerada taxa das blusinhas por 120 dias e anunciou uma medida provisória para conter a alta no preço da gasolina.
O combo se segue ao anúncio do Desenrola 2.0 e à misteriosa visita a Donald Trump nos Estados Unidos, que contribuíram para melhorar a popularidade de Lula, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana — o Lulômetro, tracking diário medido pela Realtime Big Data em parceria com O Antagonista, sugere que esse efeito positivo já pode ter passado.
Tudo isso soa como uma tentativa de reação não apenas à baixa aprovação do governo Lula, mas à humilhação imposta ao presidente pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), que escancarou a fraqueza política do petista e de seu governo.
Segurança
O fato é que as benesses do governo em ano eleitoral podem chegar a inacreditáveis 160 bilhões de reais. Apenas o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, lançado nesta semana, promete 11 bilhões de reais em investimentos para inteligência policial e melhorias do sistema prisional, entre outras coisas — ainda que 10 bilhões de reais sejam em linhas de crédito do BNDES.
O problema para o Planalto, nesse quesito, é que o tema da segurança pública é tratado com desconforto histórico pelo PT e…
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